O “BLOQUEIO” E A PERDA DO ORIENTE MÉDIO
Ricardo Labatt
Antes desse cessar-fogo tivemos uma guerra de 40 dias e os norte-americanos imploraram por negociações por que não chegaram nem perto dos objetivos que haviam estabelecido. Enquanto Netanyahu solta notas onde garante que a administração estadunidense lhe informa diariamente sobre tudo que acontece, inclusive durante as “negociações”, para que Ele possa dizer o que fazer, o que não podem fazer, o que Ele – Netanyahu - aceita e, o que não aceita. Claramente é o rabo abanando o cachorro.
Hoje o Irã tem total controle do Estreito de Ormuz. E apesar das narrativas e manobras midiáticas, os americanos não conseguem impedir que o Irã venda petróleo para a China por que isso colocaria em risco a segurança nacional chinesa. Pois a economia e a energia são uma linha vermelha para China.
O “bloqueio” não funcionaria nem se fosse efetivo pois o Irã tem uma ligação ferroviária com a China através do Uzbequistão. Uma ferrovia que chega ao Mar Cáspio, por onde inclusive mantém uma linha de suprimentos com a Rússia.
Portanto já se fala em novas negociações, talvez em Viena, numa tentativa de Trump refazer seus laços com a Europa e ter uma escada para descer da árvore que subiu e ficou preso, esbravejando. Serve para os EUA, mas não pra Israel que queria o caos em Irã.
Nessas conversações o Irã pode oferecer uma saída honrosa aos EUA, que mesmo tendo sofrido uma vergonhosa derrota poderá “cantar vitória” sobre o programa de enriquecimento de urânio persa. Pois o Irã já declara que podem parar de enriquecer urânio. Já possuem material para 5 anos e podem oferecer inspeções regulares de seu programa nuclear. Sobre isso e apenas sobre isso eles aceitariam negociar, mas NUNCA sobre o seu programa de mísseis, nem sobre com quem podem, ou não negociar. Isso diz respeito à soberania. São clausulas pétreas para o Irã.
Caso isso ocorra nos levaria exatamente ao acordado pelo Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA - Joint Comprehensive Plan of Action), de 2015 homologado por Obama. Mas Trump não aceitava estar sujeito a um acordo firmado por Obama, assim, queria ampliar o prazo de 10 para 20 anos.
Já os países do golfo estão extremamente irritados com o Irã. O nível de ódio contra os persas nunca foi tão alto. Mas, por outro lado entendem que os EUA, aos quais deram bilhões de dólares, são incapazes de defendê-los e, até mesmo de se defender, já que não conseguiram proteger e manter nem suas próprias bases e, mesmo os seus “poderosos” porta aviões contornam a África ao invés de passar pelo Canal de Suez, com receio do Houthis no Mar Vermelho.
Os catarianos gastaram US$ 11 bilhões na base aérea militar de Al Udeid e ainda tiveram que usar os seus próprios mísseis interceptores para tentar, tanto se defender como proteger as bases norte-americanas. E agora, tem que comprar mais interceptores para tentar continuar a defender estas bases e seus ativos nacionais, por que eles viram que os EUA colocaram TODAS as suas forças em Israel.
E o pior é que não é uma guerra deles. E eles nem foram consultados quando os EUA resolveu atacar o Irã, muito menos quando resolveu se sentar à mesa com o Irã, na tentativa de sair do problema que se meteram por causa de Israel.
Os árabes, precisam lidar com um Irã hegemônico, mas também necessitam encontrar uma alternativa ao Estreito de Ormuz, como o oleoduto de Yanbu, conhecido como Petroline (Leste-Oeste), com 1.200 km, que cruza a Arábia Saudita. Mas isso não trás garantias, pois o escoamento seria pelo Mar Vermelho, onde, ao sul, o Estreito de Bab el-Mandeb, é controlado pelos Houthis, aliados do Irã. Assim sendo, serão obrigados a estabelecer um acordo de segurança com o Irã e, isso passa pela exigência de não mais terem bases norte-americanas em seus territórios.
Na tentativa de demonstrar seu poder ao Irã e alguma coisa ao mundo, os EUA, inventaram um “bloqueio” do bloqueio. Mas não está e, não vai funcionar. Pois a frota americana se encontra a mais de 200 km do porto de, Porto de Chabahar - administrado pela Índia. Portanto, o tal “bloqueio” não seria contra o Irã e sim contra a China, a Índia e outros países que compram petróleo iraniano.
Quanto ao Líbano, ontem dia 15, o tal governo traidor se reuniu com Israel, em Washington, sem ter nada a oferecer além da pele do Hebolah, que não podem entregar e, que Israel não consegue intimidar, ou fazer com que se submeta.
O resultado foi uma vergonhosa foto do embaixador libanês ao lado do israelense, que exigia do governo que desarme o Hezbolah antes que qualquer acordo possa ser pensado. Enquanto isso, esse general que não defende os interesses de seu país, continua vendo seu povo civil sendo massacrado por Israel e, o Hezbolah fazendo o que ele deveria fazer... mas não tem força, nem coragem e, muito menos vontade, defender o Líbano.
Há narrativas de que Trump está apenas seguindo o dinheiro, ou que procura controlar a energia do planeta, mas isso é uma balela. Ele não controla hoje mais do que controlava há 40 dias. Pelo contrário, transformou os países produtores em Nações muito mais ricas e que comercializam em Reinminbi, não mais em dólar.
Na realidade os EUA estão perdendo o controle, que sempre tiveram, desde o fim da 2ªGG. Trump não está no controle. Toda a sua encenação é para parecer que está até conseguir al
go que permita que diga que venceu e abandone o conflito.
Mas há que se enganar.


