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segunda-feira, 30 de março de 2026
CIDADE
SAÚDE
Com o aumento dos quadros respiratórios e viroses ao longo do ano, muitos pais acabam seguindo rapidamente a recomendação de prescrição de antibióticos para aliviar os sintomas das crianças. No entanto, mesmo quando obtidos de forma adequada, o uso repetido e sem necessidade real pode trazer prejuízos importantes à saúde infantil. Em muitos casos, especialmente em infecções virais, o antibiótico não é indicado e outras medidas podem ser suficientes no tratamento inicial.
Em uma dor de garganta, por exemplo, a causa pode ser viral ou bacteriana, e a confirmação é feita por meio do exame de estreptococo, solicitado quando há sinais que sugerem infecção bacteriana. Nem toda inflamação requer antibiótico e a avaliação clínica cuidadosa ajuda a evitar tratamentos desnecessários.
O uso frequente desses medicamentos nos primeiros anos de vida está associado a desequilíbrios no intestino, maior propensão a alergias, risco de doenças crônicas e possíveis impactos no desenvolvimento neurológico. O pediatra Dr. Hamilton Robledo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica como esses efeitos surgem e reforça a importância de um acompanhamento médico criterioso.
“Os antibióticos eliminam tanto bactérias nocivas quanto as benéficas, essenciais para a formação da microbiota intestinal. Esse desequilíbrio pode causar diarreias, desconfortos gastrointestinais e enfraquecimento da imunidade. Em situações de uso excessivo, há ainda relatos de associação com atrasos no desenvolvimento”, explica.
Para o Dr. Robledo, o cenário reforça a necessidade de atenção. “Quando a criança recebe antibiótico sem necessidade, especialmente para quadros virais, abrimos espaço para problemas que vão além daquele episódio de doença. A microbiota se altera, a imunidade perde eficiência e o risco de condições futuras aumenta. É uma interferência que pode acompanhar o indivíduo por muitos anos”, complementa.
Outro ponto de preocupação é a resistência bacteriana. O uso inadequado fortalece microrganismos que deixam de responder a tratamentos tradicionais, reduzindo as opções terapêuticas para infecções graves. Mesmo com esses riscos, o antibiótico continua indispensável quando há infecção bacteriana comprovada, como pneumonia, infecção urinária ou otite supurada. A chave, segundo o especialista, é discernir quando o medicamento é realmente necessário e evitar que se torne a primeira resposta a qualquer febre ou mal-estar.
Dr. Robledo orienta pais e cuidadores a adotarem algumas práticas:
• Usar antibióticos somente diante de confirmação ou forte suspeita de infecção bacteriana, sempre com indicação médica;
• Evitar automedicação e não utilizar sobras de tratamentos anteriores;
• Não insistir em antibióticos para quadros virais;
• Manter vacinas e consultas de rotina em dia;
• Observar se a criança melhora com hidratação, descanso e controle de sintomas antes de considerar o uso do medicamento
O especialista reforça que a responsabilidade é compartilhada entre pais e profissionais de saúde. “Quando usamos antibióticos com critério, protegemos não só o organismo da criança, mas também todo o arsenal que a medicina dispõe para tratar infecções sérias. Prevenção, acompanhamento adequado e informação são as melhores ferramentas para garantir um crescimento saudável”, conclui o pediatra.
GERAL
O uso de redes sociais por crianças e adolescentes se tornou um tema de preocupação crescente devido ao acesso cada vez maior - e mais cedo - desse público à essas plataformas. Embora as redes sociais possam oferecer caminhos para o aprendizado e a conexão, a vulnerabilidade do cérebro em fase de formação expõe os jovens a uma série de riscos digitais, desde o aliciamento até impactos severos na saúde mental.
De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, 83% dos adolescentes e crianças que utilizam a internet no Brasil possuem contas em redes sociais, evidenciando o uso em massa pelo público infanto-juvenil.
Suellen Martins, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, reforça que a busca por equilíbrio é essencial. "O cérebro infantil ainda está em pleno desenvolvimento. Essa imaturidade cognitiva faz com que os pequenos sejam mais suscetíveis a estímulos viciantes e menos capazes de discernir os perigos implícitos no ambiente online ", explica.
Um dos pontos reforçados pela especialista é de que o algoritmo das redes sociais são projetados para reter o usuário o máximo de tempo possível, e isso tem um efeito desproporcional na mente infantil.
“O sistema de recompensa do cérebro, estimulado por curtidas e notificações, gera uma dependência de dopamina. Isso resulta em ansiedade e uma dificuldade de concentração em tarefas consideradas lentas, como a leitura. Outro fator é a exposição a vidas ‘perfeitas’ e o uso de filtros digitais que leva a comparações irreais, que podem criar uma baixa autoestima e dar espaço ao desenvolvimento de transtornos alimentares”, exemplifica a psicóloga.
Suellen também aponta que a falta de compreensão sobre privacidade pode levar crianças a inadvertidamente, expor dados sensíveis como localização, rotina familiar e detalhes escolares.
“Além da facilidade de acesso a conteúdos inadequados, no ambiente digital, os criminosos se valem do anonimato e da exposição de dados para ganhar a confiança das crianças com o objetivo de obter material íntimo ou praticar exploração sexual. O cyberbullying também é um risco nas redes, pois a rapidez com que o conteúdo se espalha pode gerar danos psicológicos profundos e duradouros na vítima," afirma a especialista.
Qual a idade mínima recomendada para o uso de telas?
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece diretrizes sobre o tempo de tela para crianças e adolescentes, que variam de acordo com a idade. Para a faixa etária de zero a dois anos não é recomendada a exposição às telas.
Crianças de dois a cinco anos devem ter um tempo de tela limitado a, no máximo, uma hora por dia, sempre com supervisão de um adulto. Já para a faixa de seis a 10 anos, o uso deve ficar entre uma a duas horas por dia, com a necessidade de monitoramento contínuo. Por fim, adolescentes, entre 11 a 18 anos, podem utilizar telas por até três horas diárias. No entanto, a sociedade recomenda que evitem o uso desses dispositivos imediatamente antes de dormir e durante as refeições.
Além disso, a maioria das plataformas como Instagram, TikTok e X estipula a idade mínima de 13 anos para a criação de contas. Essa regra não é arbitrária e reflete a Children's Online Privacy Protection Act (COPPA), lei norte-americana de 1998 que regula a coleta de informações pessoais online de menores de 13 anos.
"O uso consciente e supervisionado das redes sociais é um ato de proteção para as crianças. Os pais e responsáveis têm o papel de estabelecer limites e promover um diálogo aberto sobre o que é real e o que é virtual, garantindo que o desenvolvimento dos seus filhos seja saudável em todos os ambientes," conclui a psicóloga.
IMÓVEIS
Com novas regras, patrimônio imobiliário ganha papel estratégico no crédito
*Por Maídia Martinucci dos Santos
O mercado de crédito com garantia de imóvel vem experimentando expansão significativa no Brasil. De acordo com dados recentes da Verified Market Research, esse segmento, avaliado em aproximadamente US$ 820,4 milhões em 2024, possui projeção de atingir US$ 1,2 bilhão até 2032. Tal crescimento decorre da convergência de fatores estruturais relevantes, dentre os quais se destacam o avanço do Open Finance, o processo de digitalização das instituições financeiras e, sobretudo, a consolidação normativa promovida pelo Marco Legal das Garantias.
Historicamente, o patrimônio imobiliário era percebido como um ativo de natureza estática, com baixa capacidade de mobilização financeira. Todavia, a evolução do arcabouço jurídico vem alterando substancialmente essa percepção. Com a consolidação da alienação fiduciária em garantia, tornou-se possível ao devedor manter a posse direta do imóvel ao mesmo tempo em que utiliza seu valor econômico como lastro para a obtenção de crédito em condições significativamente mais favoráveis do que aquelas praticadas em modalidades tradicionais, como o crédito pessoal ou o cheque especial.
A inflexão mais relevante ocorreu com a introdução do Marco Legal das Garantias. No regime anteriormente vigente, um imóvel geralmente era vinculado a uma única operação creditícia. O novo modelo jurídico passou a admitir uma utilização mais dinâmica do bem como instrumento de garantia. Nesse contexto, um mesmo imóvel pode lastrear múltiplas operações de crédito, permitindo que o proprietário utilize a parcela já amortizada do valor do bem como base para novas contratações, desde que respeitada a ordem de prioridade registral.
A eficiência do modelo brasileiro de home equity encontra fundamento, em grande medida, na robustez de sua estrutura jurídica. Em caso de inadimplemento, o credor fiduciário dispõe da possibilidade de promover a execução extrajudicial da garantia, nos termos da legislação aplicável, o que reduz significativamente os custos de transação e o risco sistêmico da operação. Esse arranjo contribui para a formação de um ambiente de maior previsibilidade jurídica, no qual as instituições financeiras podem ampliar suas carteiras de crédito com maior segurança, enquanto os tomadores têm acesso a capital de longo prazo em condições mais competitivas.
No âmbito empresarial, os efeitos deste instrumento assumem caráter estratégico. Empresas têm recorrido à utilização de imóveis quitados como forma de converter ativos patrimoniais de baixa liquidez em recursos financeiros disponíveis, viabilizando projetos de expansão, reestruturações societárias ou, ainda, a substituição de passivos mais onerosos por estruturas de financiamento mais eficientes.
Não obstante o cenário de crescimento, a expansão desse mercado impõe a observância de cautelas jurídicas relevantes. A possibilidade de constituição de múltiplas garantias sobre um mesmo bem exige elevado grau de transparência nas condições contratuais, bem como rigor na observância da hierarquia registral. A complexidade inerente a essas operações estruturadas evidencia a importância da assessoria jurídica especializada, a fim de assegurar que a celeridade operacional não comprometa a segurança jurídica.
Nesse contexto, impulsionado pelo desenvolvimento tecnológico e pelo aprimoramento progressivo do ambiente regulatório, o home equity tende a deixar de ocupar um espaço restrito no sistema financeiro para consolidar-se como instrumento relevante de financiamento. Ao permitir uma utilização mais eficiente do patrimônio imobiliário contribui para a formação de um ciclo virtuoso de investimento produtivo em âmbito nacional.