sexta-feira, 6 de novembro de 2026
ESPAÇO MOTOR
CULTURA
Clássico dirigido por João Fonseca, “Cordélia Brasil” está de volta às quintas-feiras de novembro, no Teatro Glauce Rocha
Com humor ácido, a peça “Cordélia Brasil” coloca em foco personagens
que vivem no limite do absurdo
A nova montagem do clássico do teatro brasileiro “Cordélia Brasil”, de Antonio Bivar, chega ao Teatro Glauce Rocha, no Centro do Rio, em curta temporada, às quintas-feiras, às 19h, de 05 a 26 de novembro. Dirigida pelo aclamado João Fonseca, a tragicomédia se passa em uma quitinete decadente no Rio de Janeiro. Com seu potencial transgressor, a peça expõe o peso da obrigação do cuidado e o consequente esgotamento físico e mental imposto às mulheres e nos convida a questionar o quanto avançamos na promessa de uma sociedade menos desigual. A produção já passou pelos teatros Firjan SESI Caxias, Futuros, Casa de Cultura Laura Alvim, Centro Cultural Justiça Federal, Teatro Vannucci e Teatro da UFF, levando uma legião de espectadores.
Cordélia, vivida por Paula Goja, trabalha como auxiliar de escritório que se prostitui para sustentar o marido Leônidas (Antonio Pina), um homem inerte e em constante procrastinação que sonha em ser escritor. A chegada de Rico (Pedro Pedruzzi) altera a dinâmica do casal.
O texto de Antônio Bivar foi escrito nos anos 60 e ainda se faz pertinente ao escancarar a potência da mulher e o desejo de igualdade social. O autor tangeu toda sua dramaturgia como um manifesto da contracultura, sendo “Cordélia Brasil” a grande obra de sua trajetória.
“Cordélia Brasil” coloca em xeque toda a opressão, a solidão, o etarismo e a sobrevivência em meio ao fracasso dos sonhos, em uma montagem que nos comove e faz rir do ridículo existente em cada um de nós.
Espetáculo: Cordélia Brasil
Temporada: de 05 a 26 de novembro, quintas-feiras, às 19h
Local: Teatro Glauce Rocha - Av. Rio Branco, 179, Centro (metrô Carioca), Rio de Janeiro – RJ
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), vendas na bilheteria do teatro ou no site https://www.sympla.com.br/
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 75 minutos
Gênero: comédia dramática
Exposição “Sublime cotidiano” reúne obras de Caio Luiz e Renata Leoa no Sesc Três Rio".
Com curadoria de Jean Carlos Azuos, mostra gratuita propõe novos olhares sobre as paisagens, as arquiteturas populares e as experiências que constituem a vida cotidiana
O Sesc Três Rios recebe, a partir do dia 7 de novembro, sábado, às 14h, a exposição “Sublime cotidiano”, que reúne trabalhos dos artistas visuais Caio Luiz e Renata Leoa, com curadoria de Jean Carlos Azuos. Contemplada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar 2025/2026, a mostra permanece em cartaz até 7 de fevereiro de 2027 e propõe uma reflexão sobre a capacidade da arte de revelar outras dimensões estéticas e sensíveis dos lugares que habitamos. O espaço fica aberto para visitação de terça a sábado, das 10h às 17h, e a entrada é gratuita.
Partindo da ideia de que o sublime também se manifesta nas experiências ordinárias, a exposição aproxima duas pesquisas artísticas atravessadas pela observação dos territórios, pela memória e pelas maneiras como a vida transforma continuamente a paisagem. Ruas, construções populares, muros, caminhos e horizontes ganham novas interpretações em obras que interrogam os limites entre aquilo que vemos diariamente e o que ainda podemos descobrir.
Natural de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Renata Leoa desenvolve uma pintura atenta às arquiteturas e aos percursos urbanos. As suas composições revisitam casas, ruas e paisagens familiares, conferindo novas feições a espaços marcados pela presença humana e pelas transformações do tempo. Em trabalhos como Rua, Pedra Branca e Casa 77, a artista mobiliza relações entre memória, construção e imaginação, fazendo da pintura uma possibilidade de reinventar o que parece conhecido.
Nascido na Posse, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Caio Luiz parte de experiências sociais e materiais que constituem o cotidiano de seu território. A sua produção incorpora elementos como cimento e terra, estabelecendo relações entre a superfície das obras, as construções urbanas e os processos de transformação da paisagem. Entre matéria, imagem e invenção, seus trabalhos evidenciam como as experiências vividas também participam da construção de nossas sensibilidades.
Organizada a partir dos eixos O dia a dia reinventado e A paisagem como experiência, a exposição estabelece aproximações entre as pesquisas dos dois artistas, preservando as suas singularidades. A montagem articula obras, planos e intervalos, fazendo coexistir paisagens e temporalidades dissonantes e convidando o público a reconsiderar os sentidos atribuídos ao que está diante dos olhos.
Ao deslocar o sublime de sua associação exclusiva ao monumental ou ao extraordinário, a mostra reconhece na complexidade dos lugares, nas arquiteturas populares e nas experiências cotidianas um vasto campo de elaboração estética. Sublime cotidiano afirma, assim, a potência da criação artística para ampliar nossas maneiras de perceber, imaginar e habitar o mundo.





