segunda-feira, 13 de julho de 2026

DESTAQUE

 DESTAQUE

IN MEMORIAM






ROGERIO ALVARO SERRA DE CASTRO







O Jornal Cidade da Barra se despede do amigo  Rogério Álvaro Serra de Castro, que nos deixou em maio de 2026.


Foi de muita comoção a missa de sétimo dia, realizada na Igreja São José, da Lagoa.


Deixamos aqui registrado, um pouquinho de seus 84 anos de existência.


Um respeitado  advogado ao longo de meio século de atuação com brilhante profissionalismo; Conselheiro da OAB/RJ, condecorado  com a  Medalha Sobral Pinto;  orador oficial do IAB (Instituto dos Advogados do Brasil), nos muitos anos nos quais frequentara a Casa de Montezuma.   


Nossas últimas palavras a esse grande homem, amigo pessoal do Editor Afonso Campuzano e advogado do Jornal Cidade da Barra, meu colega, a quem tenho imenso carinho, a  esse que foi amante das letras e das doces palavras.


- “Você não nos deixou  vazios ao partir para o encontro com o Pai, pois sua passagem  foi muito rica e acrescentou um pouco de seu saber, de sua alegria, de suas experiências, sua elegância, sensibilidade, entre tantos outros adjetivos, às nossas vidas”. 


Seu nome está gravado para a posteridade!


Descanse em PAZ, Dr. Rogério!



TECNOLOGIA

 Aumento de 67% em ciberataques reforça o Brasil como um dos principais alvos de hackers

Diretor de Cibersegurança da TIVIT indica que os principais empecilhos em empresas e startups vêm da demanda de transformação digital, que não passa pela área de TI

À medida que os hackers se utilizam de técnicas cada vez mais avançadas, os ciberataques crescem no Brasil. Uma pesquisa da Check Point Research aponta que os ataques cibernéticos cresceram 67% no segundo trimestre deste ano no país, totalizando 2.754 tentativas por semana. O percentual de crescimento é de 7% na comparação com o mesmo período de 2023.

"Atualmente, boa parte das companhias sabem que o mercado brasileiro está na mira dos hackers, mas ainda há pouca maturidade por parte delas em termos de segurança, além disso, há empresas correndo contra o tempo apenas para implementar o básico", explica Erik Nakandakare, diretor da área de Transformação Digital da TIVIT, multinacional que acelera negócios por meio da tecnologia.

A baixa preocupação das companhias em implementar mais controles de segurança em seus sistemas chega a ser um paradoxo, mesmo à medida que a necessidade de modernizar processos e implementar novas soluções – a chamada transformação digital – aumenta em quantidade exponencial, expondo dados dos seus negócios em diversos aplicativos e canais e contato com o cliente.

Segundo Thiago Tanaka, diretor da área de cibersegurança da TIVIT, muitas empresas têm expandido soluções para tornar suas operações mais eficientes, aumentando pontos de comunicação e compartilhamento de dados de suas operações, mas nem sempre essas demandas vêm acompanhadas do cuidado de garantir a segurança delas.

"Um dos principais empecilhos atualmente nas empresas e startups vem da demanda de transformação digital. Elas vêm do próprio negócio, e muitas vezes, não passam pela área de TI. E quando passam, muitos destes times não têm profissionais totalmente habilitados para fazer as devidas validações e controles quanto à proteção de dados, acesso e outras ferramentas mínimas requeridas", pontua o especialista em Cibersegurança.

Segundo uma estimativa do IDC Brasil, em 2023 o país aumentou os investimentos em segurança da informação em 12%, mas o percentual ainda é baixo – cerca de 3,5% dos orçamentos de TI. "Muitas empresas ainda enxergam a segurança na TI como um custo operacional sem retorno claro, e não parte de seu plano de continuidade dos negócios", afirma Nakandakare.

De acordo com Tanaka, a mudança nesse cenário, em muitas empresas, só acontece depois que elas sofrem algum ataque. Para o especialista em cibersegurança, hoje os ataques digitais se tornaram um negócio para os criminosos, cada vez mais sofisticados, e as empresas precisam também ver a segurança da informação como parte integral do dia-a-dia. "Ainda é muito reativo. Todas as empresas que sofrem ataques multiplicam por várias vezes o seu orçamento para segurança no ano seguinte. É como fazer o seguro do carro só após ser roubado", pondera.

Cuidado com cibersegurança é parte do processo

Do mesmo modo que os projetos de transformação digital são pensados para otimizar e modernizar processos em empresas ou startups, o cuidado com a segurança da informação precisa fazer parte deste escopo. Para Tanaka, há a necessidade de ter profissionais que façam o acompanhamento de cada processo bem de perto.

Segundo o executivo, a falta de profissionais especializados em segurança gera um gap perigoso na hora da implementação de projetos de transformação digital. "Hoje, falar de transformação digital está cada vez mais na moda, mas a preocupação com segurança continua baixa e distante do recomendável", diz Tanaka.

Além disso, até mesmo na contratação de serviços na nuvem, ainda existe muito ruído. Por exemplo, migrar aplicações e cargas de trabalho para um ambiente cloud não é garantia de que estarão protegidas, mesmo em uma infraestrutura controlada por terceiros. "A necessidade de segurança na nuvem é a mesma que no ambiente on-premise. Você precisa adquiri-la junto para usufruir deste benefício, e ainda assim, você precisa criar controles e processos, além de contar com profissionais especializados para fazer os ajustes finos dessas camadas de proteção para melhor atender o ambiente na nuvem, lembrando que envolvem processos de transformação digital e uso de AI", explica.

A importância do trabalho consultivo

Na falta de profissionais qualificados em segurança, é importante que as empresas possam recorrer a parceiros para implementar uma segurança mais robusta em seus projetos de transformação digital. Segundo Nakandakare, contar com um parceiro confiável nesses momentos é uma alternativa. “Muitos relacionamentos comerciais começam com um trabalho consultivo, na preocupação das empresas em se proteger de ataques de ransomware, por exemplo. Quando uma empresa fecha uma parceria para o desenvolvimento de um projeto de transformação digital, contamos com um time multidisciplinar, capaz de olhar e mapear as necessidades de negócio e de segurança, incluindo os processos necessários dentro do escopo do projeto”, complementa.

Um exemplo recente de como a TIVIT investe na entrega de serviços de segurança é uma oferta recém-lançada com a IBM, chamada IBM Security QRadar SIEM. O projeto foi desenvolvido pelos especialistas em cibersegurança de detecção e resposta da TIVIT em conjunto com o IBM Security, como parte de uma colaboração contínua para oferecer novas soluções que atendam aos desafios de seus clientes.

Entretanto, para Erik, essa é apenas uma parcela do trabalho. "Ao entregarmos uma aplicação ou ambiente, é fundamental que o cliente tenha consciência que a cultura de segurança é algo constante dentro do negócio. Estamos vendo, aos poucos, o aumento dessa consciência nas empresas, mas ainda é longe do ideal", finaliza.

SAÚDE

 INCA investiga como as células de defesa do corpo humano afetam o desenvolvimento de tumores

Pesquisadores utilizam o sequenciamento de células únicas e a bioinformática e geram dados que podem colaborar com avanços no desenvolvimento de novas terapias

O INCA têm realizado crescentemente estudos dedicados à investigação das células individuais, dentro de um tumor. Esse tipo de estudo fornece uma compreensão mais abrangente sobre como as células do sistema imunológico influenciam no desenvolvimento e na progressão dos tumores, gerando dados que podem contribuir para avanços em tratamentos mais eficazes. Nesse sentido, os pesquisadores do Instituto têm investigado o comportamento das células de defesa do corpo humano, a exemplo dos macrófagos, que atuam como "faxineiros" do nosso organismo, engolindo células mortas e microrganismos invasores, além de coordenar a resposta imunológica. Essa foi uma das principais motivações do estudo Caracterização de estados de células mieloides em resolução de célula única com implicações no desfecho do câncer, publicado na revista Nature Communications, em 07 de julho. A pesquisa coordenada pelo INCA foi realizada em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Para compreender melhor a ideia do estudo é preciso considerarmos que, no caso do câncer, os macrófagos podem ter um papel duplo. Alguns atacam diretamente as células cancerosas e estimulam a resposta imunológica. Enquanto, outros, podem ser  "enganados"; pelo tumor para promover seu crescimento e disseminação, suprimindo a resposta imunológica e ajudando a formar novos vasos sanguíneos para o tumor. “Assim, é fundamental estudar esses comportamentos e identificar e discenir subpopulações de macrófagos, apresentando oportunidades para o desenvolvimento de novas terapias. Para isso, temos trabalhado com metodologias inovadoras como o sequenciamento de células únicas integrada à bioinformática”, explica Mariana Boroni, coordenadora do estudo e líder do Laboratório de Bioinformática do INCA.

A pesquisa investigou como as células imunes derivadas de mieloides (tecido responsável pelo surgimento das células sanguíneas) - com foco em macrófagos associadas a tumores - impactam o prognóstico e a resposta ao tratamento de pacientes com câncer, devido à sua capacidade de adaptação e de mudança de comportamento. “Fomos capazes de identificar e caracterizar os principais tipos de macrófagos que podem ser encontrados em tumores sólidos, e como essas subpopulações específicas afetam o curso da doença.”, explica Gabriela Raposo, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Oncologia do INCA (PPGO) e primeira autora do estudo, com mestrado nota 10 pela Faperj.

Para realizar a pesquisa, a equipe analisou dados de 392.204 células, provenientes de treze conjuntos de dados públicos, abrangendo sete tipos de tumores sólidos. A equipe trabalhou durante quatro anos, de forma integrada. O principal objetivo foi o de mapear em alta resolução os diferentes tipos de células imunes derivadas de mieloides, em especial os macrófagos, que podem ser encontrados no microambiente tumoral. “Em linhas gerais, os resultados mostram que existem populações específicas que estão associadas à progressão tumoral, e que estão muito presentes nos tumores de alta malignidade como o de mama triplo negativo e de ovário”, complementa Gabriela.

Assim, segundo as pesquisadoras, um dos avanços mais significativos deste estudo é o fato de que ele permite identificar populações específicas de macrófagos, e seus respectivos biomarcadores, que estão associados a um prognóstico desfavorável em câncer. “A identificação dessas populações de macrófagos possibilita o desenvolvimento de biomarcadores voltados para medicina de precisão, assim como abre possibilidades para o desenho de novas imunoterapias para o tratamento de tumores sólidos”, acrescenta Mariana. Esse tipo de estudo é fundamental para o avanço na pesquisa em câncer e mostra como a bioinformática, integrada aos demais campos, tem contribuído nessa direção.


GERAL

 Novo ataque a hospital apoiado por MSF no Sudão mata 3 pessoas

Ataque em El Fasher deixou 25 feridos e foi o décimo a instalações médicas na cidade desde 10 de maio

Repetidos ataques a instalações de saúde em El Fasher, Darfur do Norte, no Sudão, estão fazendo com que o já enorme número de mortos na cidade aumente ainda mais. Além disso, o bloqueio contínuo a caminhões com suprimentos médicos urgentemente necessários também está colocando ainda mais vidas em risco. Médicos Sem Fronteiras (MSF) apela a todas as partes envolvidas no conflito para que respeitem as instalações de saúde e a população civil e permitam a entrega urgente de alimentos e medicamentos na área.

Em 29 de julho, um ataque ao hospital Saudita, em El Fasher, apoiado por MSF, marcou a décima vez em que um hospital foi atingido na cidade desde que os confrontos se intensificaram, em 10 de maio, há cerca de 80 dias. Nesse ataque, três cuidadores que acompanhavam pacientes foram mortos e 25 pessoas ficaram feridas, incluindo pessoas deslocadas que estavam abrigadas em uma mesquita próxima que também foi atingida. O bombardeio ocorreu enquanto El Fasher estava sob ataque das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês).

Desde que os combates se intensificaram, há quase 12 semanas, ao menos 2.170 pessoas feridas foram tratadas em hospitais apoiados por MSF em El Fasher, e mais de 300 pessoas morreram devido aos ferimentos. Mais e mais feridos continuam a inundar o hospital Saudita, e os caminhões de MSF continuam sendo mantidos na cidade de Kabkabiya pela RSF, o que significa que os suprimentos médicos estão se esgotando rapidamente, colocando ainda mais em risco serviços médicos que podem salvar vidas.

“Não sabemos se os hospitais estão sendo alvos de maneira intencional, mas o incidente de segunda-feira mostra que os envolvidos nos conflitos não estão tomando nenhuma precaução para poupá-los”, alerta Stéphane Doyon, coordenador-geral da resposta a emergências de MSF no Sudão. “Eles não estão fazendo nenhum esforço para evitar a morte de civis ou para garantir a proteção dos pacientes e da equipe médica. Como resultado, muitas outras vidas estão sendo perdidas.”

Pelo menos nove pessoas foram mortas nos 10 ataques a hospitais em El Fasher nos últimos 80 dias, e pelo menos 38 ficaram feridas.

“As partes em conflito estão bem cientes da localização do hospital Saudita e também têm plena consciência de que é o último hospital público remanescente na cidade com capacidade para tratar os feridos. Esta foi a quarta vez em que ele foi atingido, e se tiver que parar de funcionar como o hospital Sul, quando foi invadido em junho – a quinta vez que foi atacado –, não haverá mais lugar na cidade para realizar cirurgias nas pessoas feridas ou cesarianas em mulheres grávidas”, explica Doyon.

O hospital pediátrico também foi desativado em maio, após ter sido danificado por uma bomba que caiu nas proximidades, matando três pessoas, incluindo duas crianças que estavam na unidade de terapia intensiva. As crianças que precisam de tratamento hospitalar agora são tratadas em uma pequena clínica com equipamento limitado – ou, se tiverem ferimentos de guerra, são tratadas no hospital Saudita”, diz o coordenador de emergências.

 

Bloqueios a suprimentos essenciais

Além dos ataques a instalações de saúde, caminhões de suprimentos de MSF foram detidos em Kabkabiya pela RSF nas últimas quatro semanas, o que pode em breve deixar o hospital saudita sem suprimentos essenciais.

"Nossos caminhões deixaram a cidade de N'djamena, no Chade, há mais de seis semanas e já deveriam ter chegado a El Fasher, mas não temos ideia de quando serão liberados", diz Doyon. “Em El Fasher, só temos kits cirúrgicos suficientes para tratar 100 pessoas. Se o número de vítimas continuar a aumentar na mesma proporção que estamos vendo agora, esses suprimentos logo se esgotarão”, alerta.

“Precisamos desesperadamente que nossos caminhões cheguem. Mas eles não contêm apenas suprimentos para o hospital Saudita – eles também contêm alimentos terapêuticos e suprimentos médicos para crianças no campo de Zamzam, onde há uma crise catastrófica de desnutrição. Como esses suprimentos ainda não chegaram, só temos alimento terapêutico suficiente para mais algumas semanas. Muitas crianças já estão à beira da morte. Esses suprimentos são necessários para salvar suas vidas. Se o bloqueio à ajuda humanitária não for interrompido com urgência, haverá um número de mortos ainda maior”, diz Stéphane Doyon.

MSF faz um apelo para que todas as partes envolvidas nos conflitos parem de atacar hospitais em El Fasher e em todo o Sudão, e pede que a RSF libere seus caminhões em Kabkabiya para que suprimentos médicos que podem salvar vidas possam ser levados ao hospital Saudita e às instalações de MSF no acampamento de Zamzam. MSF também insta as partes em conflito a permitir a chegada rápida de todos os suprimentos e comboios humanitários a El Fasher e Zamzam, onde são vitais para evitar a deterioração da saúde da população.