quarta-feira, 18 de março de 2026

EDUCAÇÃO

 

Arte e educação | Heberth Sobral e Marcos Cardoso | Galeria de Arte Solar

GALERIA DE ARTE SOLAR INAUGURA NOVA ÁREA EXPOSITIVA E DE ENCONTROS NO PAVÃO-PAVÃOZINHO E CANTAGALO

Conversa entre os artistas Heberth Sobral e Marcos Cardoso, mediada pela curadora Adriana Nakamuta, marca a abertura do espaço dedicado ao diálogo entre arte, educação e comunidade.

Painéis expositivos instalados na área de acesso à biblioteca do Solar Meninos de Luz, ampliam as possibilidades de montagem das mostras da galeria, levando a arte para a área externa da escola, num espaço de convivência dos alunos.

Evento acontece no dia 20 de março, sexta-feira, às 11h, aberto ao público e com entrada franca. 
                                                                Raquel Maia

A Galeria de Arte Solar, localizada no Pavão-Pavãozinho, inaugura no dia 20 de março, sexta-feira, uma nova área expositiva e de encontros dentro do Solar Meninos de Luz, escola que atende a mais de 400 alunos, do berçário ao Ensino Médio. A abertura será marcada por uma conversa aberta ao público entre os artistas Heberth Sobral e Marcos Cardoso e a nova curadora da galeria, Adriana Nakamuta. O espaço pretende integrar a arte ao cotidiano dos estudantes, com uma área de encontros e trocas com artistas. O evento começa às 11h, com entrada franca. Com patrocínio do Belmond Copacabana Palace e do Instituto Yduqs, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (ISS RJ), a Galeria de Arte Solar é hoje a única galeria de arte contemporânea com programação curatorial contínua instalada dentro de uma comunidade carioca.

A iniciativa amplia as possibilidades de montagem das mostras da galeria com painéis expositivos instalados na área externa, ao longo do corredor de acesso à biblioteca e à sala de arte. O ambiente também será destinado a conversas, utilizando a escada principal como arquibancada para o público. A iniciativa representa o amadurecimento de um esforço de 18 anos voltado para a interseção entre arte, cultura e educação. “Ao longo desse período, percebemos o quanto os alunos ganharam com o convívio com a arte contemporânea. Queremos ampliar esse trabalho, levando a arte para dentro do espaço de convivência dos estudantes”, afirma Guilherme Maltaroli, diretor administrativo do Solar Meninos de Luz. Para a diretora pedagógica da instituição, Isabela Maltaroli, o contato direto com exposições estimula habilidades fundamentais no processo educativo. “A arte amplia o repertório cultural, estimula a criatividade e fortalece a sensibilidade. As exposições incentivam perguntas, interpretações e conversas, fortalecendo o pensamento crítico e a expressão de ideias”, destaca.

Outro foco da galeria é ampliar o engajamento do público. O trabalho curatorial e pedagógico visa a tornar a arte contemporânea mais acessível para as pessoas que vivem na comunidade. As mostras mais recentes, por exemplo, foram estruturadas com esse objetivo. De 30 de outubro e 18 de dezembro de 2025, Marcos Cardoso trouxe obras criadas com palitos de picolé, palitos de fósforo, bambolês e embalagens, numa reconfiguração simbólica de itens do dia a dia e material de descarte. Heberth Sobral, que ocupa atualmente a galeria até 28 de março, apresenta a exposição “Game: brincar com arte”, na qual aborda temas sociais a partir de bonecos e brinquedos. “Ambos os artistas articulam suas pesquisas a partir de objetos e imagens que compõem uma estética do cotidiano, conferindo nova plasticidade a elementos da vida urbana e criando obras que interceptam o imaginário popular. Nossa intenção é que a arte contemporânea deixe de ser percebida como um campo hermético ou distante, integrando-se à rotina das pessoas para despertar pertencimento, criatividade e reflexão”, finaliza a curadora.

 

HEBERTH SOBRAL

Nascido em Muriaé (MG), em 1984, cursou Desenho Industrial na Universidade Estácio de Sá e começou sua trajetória artística num curso de fotografia, o que o levou a ser convidado por Vik Muniz para trabalhar como seu assistente. Utilizando suportes como xilogravuras, pinturas, desenhos, cédulas e bonecos, constrói a sua própria linguagem, sempre voltada para a representação das memórias do cotidiano, abordando temas de comportamento, pensamento e cultura. A ideia do artista é levar o expectador para dentro da sua obra por meio de uma lembrança.

 

MARCOS CARDOSO

Formado pela escola de belas artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, 1992, frequentou a oficina de gravura do Ingá, de 1988 a 1990, e a escola de artes visuais do Parque Lage, em 1991. Foi aluno e amigo de Lygia Pape. Desde 1986 vem participando de exposições coletivas e salões de arte no brasil e no exterior, com destaque. Sua obra está representada nas coleções da Universidade de Málaga e do Museu de Gravura, Santiago de Compostela, Espanha, Fundação Cartier, Paris, França, além da coleção João Satamini do Museu de Arte Contemporânea de Niterói. 

 

GALERIA DE ARTE SOLAR

 Uma das instalações do Solar Meninos de Luz, a Galeria de Arte Solar é a primeira e única galeria estruturada com curadoria e calendário de mostras anual, situada em uma comunidade no Rio de Janeiro. É uma instituição sem fins lucrativos, com patrocínio do Belmond Copacabana Palace e Instituto Yduqs, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (ISS RJ). Inaugurada em 2007, no Pavão-Pavãozinho, já realizou mais de 40 exposições, incluindo nomes como Antônio Bokel, Barrão, Lia do Rio, Marcos Cardoso, Toz, entre outros. Todo artista que expõe no espaço é convidado a ministrar uma oficina aos alunos do Solar Meninos de Luz, que atende a mais de 400 crianças e adolescentes em tempo integral, do berçário ao Ensino Médio. Além do ensino formal, a escola oferece alimentação, atividades culturais e esportivas, e acompanhamento psicossocial. Em 2025, o Solar Meninos de Luz foi duplamente contemplado no Prêmio Melhores ONGs do Brasil 2025, promovido pela Certificadora Social e Ambev VOA. Além de integrar pelo quinto ano a lista das 100 Melhores ONGs, a instituição foi eleita a Melhor ONG do Rio de Janeiro, em reconhecimento à excelência em gestão, governança, transparência e impacto social. Uma das formas de ajudar a instituição é através do projeto de apadrinhamento individual, onde o doador contribui de forma recorrente com uma quantia que será destinada ao suporte educacional. Mais informações, no site: www.solarmeninosdeluz.org.br 

 Inauguração de espaço de arte e encontros da Galeria de Arte Solar

Com: Heberth Sobral, Marcos Cardoso e Adriana Nakamuta
Data: 20 de março (sexta-feira), às 11h
Local: Solar Meninos de Luz
Endereço: Rua Saint Roman, 149 – Pavão Pavãozinho – Copacabana – Rio de Janeiro
Entrada franca
www.solarmeninosdeluz.org.br 
@solarmeninosdeluz

EDUCAÇÃO

 Rio, Recife e Ceará avançam na expansão do ensino integral com foco nas juventudes

Gestores apresentam resultados de transformação curricular e engajamento estudantil em Seminário Internacional sobre anos finais

Representantes da educação do Rio de Janeiro, Recife e Ceará estiveram reunidos nesta terça-feira (17) em São Paulo abordando como os anos finais integrais vêm avançando nas respectivas regiões de atuação. Adriano Giglio, Subsecretário de Ensino da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Cecilia Cruz, Secretária Municipal de Educação do Recife e Emanuelle Grace, Secretária-Executiva de Cooperação com municípios do Ceará participaram do Seminário Internacional de Anos Finais Integrais – Redes que Transformam. 

No Rio de Janeiro, Adriano Giglio comentou sobre a particularidade de uma rede municipal com várias unidades. “O desafio já começa em fazer ações para todas as escolas, respeitando suas diferenças e particularidades. Temos experiências de vocacionalização do currículo nos anos finais. Algumas escolas começaram com esporte (ginásios educacionais olímpicos) outras foram para o segundo idioma (bilinguismo). Isso aumenta o engajamento e pertencimento”, disse, destacando ainda os GETs (Ginásios Educacionais Tecnológicos), que estimulam os professores ao ambiente colaborativo e para que as práticas pedagógicas sejam focadas mais no ‘fazer’. Atualmente, a rede municipal de ensino conta com mais de 360 unidades escolares com anos finais, sendo 57% em tempo integral e 8% estão em transição para o integral.

Recife dobra escolas em tempo integral

Recife possui 45 escolas, sendo 24 já em tempo integral. Em 2021 eram 12 unidades em tempo integral, conta a Secretária Municipal de Educação, Cecilia Cruz. “O tempo integral é hoje a nossa estratégia para os anos finais do ensino fundamental. Apesar de ter a oferta desde 2014, percebemos em 2021 que o currículo ainda estava distante do que gostaríamos para esse formato de educação”, lembra. Foi necessário um processo de revisão da matriz curricular. “Com o apoio da Motriz, fizemos um planejamento de expansão da política de tempo integral para que as escolas integrais chegassem a todos os cantos”. Assim, Recife passou de 91 mil para 110 mil estudantes. O processo envolveu também escuta de 4 mil jovens com o objetivo de colocá-los como protagonistas e ter o apoio no debate de soluções para problemas que eles mesmos traziam.

Também no Nordeste, o estado do Ceará foi outro a avançar no número de escolas em tempo integral.  

Ceará: Suporte técnico e foco nos municípios

No Ceará, o percentual de escolas em tempo integral saiu de 40% para 60%, de acordo com o último Censo. Emanuelle Grace, secretária-executiva de Cooperação com os Municípios, atribui o resultado ao suporte técnico-pedagógico oferecido aos 184 municípios cearenses. “Construímos um documento orientador focado nas adolescências e cadernos de eletivas que dialogam diretamente com os alunos nos territórios”, explicou.


SHOW

“Carmina Burana Ballet” chega à Cidade das Artes para apresentações na Grande Sala


Consolidado como um dos principais destaques recentes da dança no Brasil, o espetáculo ocorre nos dias 20, 21 e 22/03

 

O espetáculo “Carmina Burana Ballet”, idealizado pela Vortice Dance Company, uma das companhias mais reconhecidas de Portugal e da Europa, chega à Cidade das Artes para três únicas apresentações. Nos dias 20, 21 e 22/03 o palco da Grande Sala reúne talentosos bailarinos brasileiros em uma experiência sensorial que integra dança, música e tecnologia.

Criado a partir da célebre cantata de Carl Off, “Carmina Burana Ballet” transcende o formato tradicional do balé ao propor uma experiência cênica que mistura dança contemporânea, música, dramaturgia corporal e tecnologia de ponta. O espetáculo inclui vídeo mapping e projeções de alta qualidade, que dialogam diretamente com o movimento dos intérpretes e ampliam a narrativa visual da obra, criando imagens imersivas e dinâmicas que potencializam os temas universais de destino, desejo, instabilidade e força humana.

Um dos diferenciais da montagem brasileira está também na integração com artistas brasileiros, que passam a ocupar o palco ao lado da concepção europeia da obra. O elenco nacional imprime novas camadas de identidade, potência física e sensibilidade à encenação, reforçando o caráter híbrido do espetáculo – ao mesmo tempo internacional em sua origem e profundamente conectado ao público brasileiro.

 

“Carmina Burana Ballet”

20, 21 e 22/03

sexta e sábado, às 20h30, e domingo, às 18h

Grande Sala da Cidade das Artes (Avenida das Américas, 5.300 – Barra da Tijuca)

Ingressos: a partir de R$70 na bilheteria ou na Sympla https://bileto.sympla.com.br/event/116494/d/366385

terça-feira, 17 de março de 2026

CIDADE

 TETO Brasil dá início às primeiras construções de moradias em Maricá (RJ), em 2026

As primeiras construções de moradias emergenciais da TETO Brasil, nas favelas hipervulnerabilizadas do estado do Rio de Janeiro, em 2026, acontecem nos dias 21 e 22 de março, em Maricá. Serão entregues 12 novas casas na comunidade Aldeia Mata Verde Bonita, uma aldeia indígena da etnia mbya guarani, que conta com aproximadamente 40 famílias, totalizando 200 pessoas. A iniciativa integra a meta institucional da TETO: entregar 10.000 moradias dignas no Brasil, até 2030. A ação tem o objetivo de combater a extrema pobreza e transformar a realidade desses territórios que sofrem com a precariedade habitacional, além de servir como um alerta para a urgência do direito à moradia digna e a necessidade de políticas públicas de segurança social para famílias em situação de vulnerabilidade. 

As construções são realizadas por mutirões de voluntários. Há três etapas em que é possível se voluntariar: o recebimento de materiais (14 de março), a construção (nos dias 21 e 22 de março) e a pintura (dia 28 de março). As vagas para o final de semana da construção já estão esgotadas, mas ainda é possível participar dos momentos de pintura e recebimento de materiais. Para participar, é possível submeter as inscrições aqui.

No Rio de Janeiro, a TETO já construiu mais de 650 moradias, além de soluções de infraestrutura como sedes comunitárias, obras de saneamento e acesso à água tratada, por exemplo. Só no estado a ONG já mobilizou mais de 12 mil voluntários em ações de combate à pobreza. 

SAÚDE

 A falência silenciosa: como pequenos erros de gestão corroem a sustentabilidade de clínicas médicas

Levantamento mostra que 71% dos consultórios enfrentam dificuldades administrativas; especialista do Grupo ICOM alerta que a falta de controle financeiro e metas claras são os principais vilões do setor

Erros de gestão acumulados ao longo do tempo parecem pequenos no dia a dia, mas silenciosamente comprometem a sustentabilidade de uma clínica. Decisões tomadas sem base em dados, ausência de controle financeiro e falta de direcionamento estratégico criam um desgaste progressivo que, muitas vezes, só é percebido quando o caixa já está pressionado e a operação perde fôlego. 

Para Ricardo Novack, administrador e sócio-diretor do Grupo ICOM, o fechamento de clínicas raramente ocorre por um único erro grave. “O que leva uma clínica à ruína é a soma de falhas aparentemente pequenas. Quando não há controle financeiro, padrão de atendimento e metas claras, o negócio vai se fragilizando aos poucos”, afirma.

O problema não é pontual. Levantamento do Sebrae em parceria com o Conselho Federal de Medicina mostrou que 71% dos consultórios e clínicas relatam dificuldades com gestão financeira e administração de processos. A falta de controle de custos e a inadimplência aparecem entre os principais entraves ao equilíbrio das contas. Já o relatório Panorama das Clínicas e Hospitais 2025, produzido por Doctoralia e Feegow Clinic, indica que 59% dos gestores têm como prioridade aumentar o faturamento, mas apenas 24% operam com estratégias estruturadas de conversão e gestão.

Na prática, segundo Novack, a principal fragilidade começa no financeiro. Muitas clínicas operam sem fluxo de caixa estruturado, misturam contas pessoais e empresariais e tomam decisões com base em percepção, não em números. “Sem número claro, não existe estratégia. A gestão começa pelo caixa”, afirma. Estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar mostra que clínicas que adotaram ferramentas de gestão integrada registraram aumento de 22% na previsibilidade financeira e redução de 18% nos atrasos de recebimentos, evidenciando o impacto direto da organização administrativa.

Outro ponto crítico está na experiência do paciente. Demora no retorno, falhas de comunicação e ausência de processos claros reduzem a taxa de comparecimento e comprometem a percepção de valor. Mesmo com equipe técnica qualificada, a experiência inconsistente afeta indicações e recorrência. Dados da Associação Nacional de Hospitais Privados apontam que instituições que estruturaram sistemas integrados de gestão reduziram em até 25% as faltas e elevaram em 18% a satisfação dos pacientes. “O paciente decide continuar muito antes de ouvir o preço. A experiência começa no primeiro contato”, diz Novack.

Além disso, clínicas que operam sem metas definidas e sem revisão periódica de desempenho acabam reagindo a problemas diários, em vez de conduzir o próprio crescimento. A ausência de planejamento dificulta investimentos consistentes e limita a capacidade de expansão. “Crescimento sustentável exige direção. Sem meta e sem acompanhamento, a clínica vive apagando incêndios”, afirma.

Segundo o especialista, os erros isoladamente podem parecer inofensivos, mas, somados, corroem gradualmente a saúde financeira do negócio. “Gestão mal feita não quebra rápido, desgasta aos poucos. Quando o gestor percebe, já perdeu margem, previsibilidade e competitividade”, conclui.