segunda-feira, 28 de setembro de 2026

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FLÁVIO BOLSONARO

Candidatoà Presidente

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CAFÉ COM LABATT







Ricardo Labatt



Hoje o nosso papo traz um texto de um grande amigo, que mais uma vez, atingiu as vísceras do descaminho do Brasil. Desta feita Marcelo Duarte Lins, nos brinda com este convite a reflexão.

Há coisas cuja importância só percebemos quando faltam.

A água é uma delas.

Abrimos a torneira todos os dias sem pensar de onde ela vem, quantos quilômetros percorreu ou quantas pessoas trabalharam para que chegasse até nós.

Basta faltar.

De repente, aquilo que era invisível passa a dominar a casa.

Com a energia acontece o mesmo. Enquanto a luz acende, ninguém pensa na imensa engrenagem necessária para que um simples interruptor obedeça ao nosso dedo.

Basta um apagão.

Elevadores param, sinais se apagam, computadores silenciam — e descobrimos quanto dependíamos daquilo que simplesmente estava lá.

Com a segurança não é diferente.

Nem com a Defesa Nacional.

Enquanto os aviões voam, os navios navegam e as fronteiras permanecem silenciosas, é fácil acreditar que tudo aquilo pode esperar.

Não pode.

A Defesa pertence a essa categoria de coisas essenciais que carregam um paradoxo: quanto melhor funcionam, menos percebemos sua existência.

Um país em paz corre o risco de imaginar que não precisa se preparar para a guerra.

É justamente aí que mora o perigo.

A Constituição atribui às Forças Armadas a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e, nas condições previstas em lei, a garantia da lei e da ordem.

A Defesa Nacional não começa nem termina na porta de um quartel.

As Forças Armadas estão nos quartéis.

A Defesa Nacional, não.

Ela está nas fronteiras, no mar e no espaço aéreo.

Está na inteligência, na ciência, na tecnologia, nas comunicações, na infraestrutura estratégica e na indústria de defesa.

Está na capacidade de produzir, manter e repor os meios necessários à soberania.

E está, sobretudo, nas decisões de Estado.

Não se improvisa Defesa quando a ameaça já chegou.

Não se compra capacidade militar na prateleira de um supermercado depois que a crise começou.

Não se formam pilotos, marinheiros, soldados, engenheiros, técnicos e especialistas de um dia para o outro.

Não se constrói dissuasão por decreto.

E não se faz Defesa sem orçamento compatível.

Durante muito tempo, o brasileiro se acostumou a olhar para a Defesa como se fosse um assunto exclusivo dos militares.

Não é.

Os militares executam parcela fundamental dela, mas quem decide quanto o País investirá, quais capacidades desenvolverá, quais projetos estratégicos serão mantidos e que lugar a Defesa ocupará entre as prioridades nacionais é o poder político.

Por isso, Defesa não é assunto apenas de quartel.

É assunto de governo.

É assunto do Congresso.

É assunto da universidade.

É assunto da indústria.

É assunto da sociedade.

É assunto de Estado.

As ameaças do século XXI tampouco chegam necessariamente com divisões blindadas atravessando fronteiras.

Podem chegar pelo espaço aéreo, pelo mar, pelo espaço cibernético, pelas comunicações, pela sabotagem de infraestruturas críticas, pelo crime organizado transnacional e por diferentes formas de pressão sobre os interesses nacionais.

O inimigo moderno pode nem usar farda.

Como já se tornou célebre dizer, pode até “entrar de Uber”.

A frase provoca um sorriso.

O problema é que a realidade por trás dela não tem graça alguma.

Um país continental, com mais de oito milhões de quilômetros quadrados, uma extensa faixa de fronteira terrestre, enorme litoral, riquezas naturais, Amazônia, petróleo, água, minerais estratégicos e um espaço aéreo gigantesco não pode tratar sua Defesa como despesa incômoda a ser lembrada apenas quando sobra dinheiro.

Defesa custa, porém a ausência dela pode custar muito mais.

A História está cheia de países que descobriram tarde demais que soberania sem capacidade de defendê-la é apenas uma declaração de intenções.

Por isso, discutir orçamento de Defesa não significa defender privilégios militares.

Significa perguntar que instrumentos o Brasil pretende possuir para proteger aquilo que afirma ser seu.

Significa decidir que País queremos deixar preparado para a próxima geração.

A água parece dispensável até a torneira secar.

A energia parece garantida até a luz apagar.

A Defesa parece distante até o dia em que faz falta.

Nesse dia, porém, não haverá tempo para improvisar navios, fabricar aviões, formar homens, desenvolver tecnologia ou reconstruir capacidades abandonadas durante décadas.

Defesa Nacional exige uma virtude cada vez mais rara na política: pensar além da próxima eleição.

Porque governos passam.

Presidentes passam.

Ministros passam.

Comandantes passam.

A Pátria fica.

E defendê-la nunca foi nem poderá ser apenas assunto de quartel.