segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

DIREITO & TRIBUTAÇÃO

 Da Austrália a Portugal: a nova “maioridade digital” e o desafio do Brasil






Claudio Carneiro


A proibição de redes sociais para menores deixou de ser uma ideia exótica para se tornar política pública concreta em vários países. De um lado, governos alegam proteger crianças de danos à saúde mental, assédio e exploração on-line; de outro, cresce o temor de um controle excessivo sobre a vida digital de adolescentes. No centro desse debate está uma pergunta incômoda: quem define a idade em que alguém está “pronto” para existir nas redes? 

A Austrália foi o primeiro país a dar um passo radical. Em 2024, foi aprovada uma lei inédita no mundo, proibindo o uso de redes sociais por menores de 16 anos e impondo às big techs o dever de adotar medidas razoáveis de verificação etária, sob pena de multas milionárias. A norma entrou em vigor em dezembro de 2025, obrigando a remoção de contas existentes de menores e o bloqueio de novos cadastros, e reacendendo críticas sobre isolamento social e a real capacidade técnica de separar, na prática, um adolescente de 15 anos de um usuário um pouco mais velho.

A partir desse marco australiano, uma onda regulatória atravessou o debate público europeu. Na Itália, a regra hoje combina idade mínima com consentimento parental: menores de 14 anos só podem ter conta nas redes com autorização dos pais; a partir dos 14, o adolescente passa a poder usar as plataformas sem consentimento adicional, em linha com a margem que o próprio regulamento europeu de proteção de dados dá aos Estadosmembros para fixar essa idade. Apesar disso, o mecanismo de verificação continua frágil, pois, na prática, ainda predomina a autodeclaração de idade nas plataformas, ocasionalmente complementada por pedidos de documento em casos suspeitos, sem um sistema nacional obrigatório e padronizado só para redes sociais. Essa fragilidade levou a União Europeia a testar soluções comuns. Itália está entre os cinco países escolhidos pela Comissão Europeia para experimentar um aplicativo de verificação de idade, capaz de autenticar se o usuário está acima ou abaixo de um determinado limite usando credenciais oficiais, sem expor dados completos como nome ou número de documento. A lógica é criar um intermediário técnico de confiança que responda apenas “sim” ou “não” para determinada faixa etária, harmonizando a verificação entre plataformas e países sob o guardachuva das políticas digitais da UE.

A França decidiu ir além no discurso político. Em janeiro de 2026, a Assembleia Nacional aprovou uma lei que proíbe redes sociais para menores de 15 anos, inspirada explicitamente na experiência australiana e ancorada em argumentos de combate ao bullying, à violência juvenil e aos impactos das plataformas sobre a saúde mental. O governo francês reconhece que, hoje, quase tudo se baseia na data de nascimento digitada pelo usuário, e anunciou a intenção de “mudar tudo” exigindo prova real de idade em cooperação com o piloto europeu de verificação, bem como integração futura com carteiras digitais nacionais.

Portugal surge, então, como um laboratório interessante de “maioridade digital” mediada pelo Estado. Em fevereiro de 2026, o Parlamento aprovou, na generalidade, um projeto que mantém a proibição absoluta de redes sociais para menores de 13 anos e exige consentimento parental expresso para jovens entre 13 e 16 anos. A diferença está no instrumento: em vez de confiar apenas na declaração do usuário, o país pretende usar a identidade digital estatal (Chave Móvel Digital) para verificar idade e autorização, criando uma camada de autenticação pública sobre o acesso privado às plataformas.

Vemos, assim, uma espécie de linha evolutiva: a Austrália inaugura o modelo de proibição total até 16 anos; a França aposta em um veto amplo até 15, inspirada pelos australianos; Itália e Portugal adotam soluções mistas, combinando idade mínima menor com consentimento parental e, no caso português, um protagonismo estatal na verificação. Em comum, está a percepção de que o regime tradicional, baseado em termos de uso e autodeclaração, não dá conta de proteger crianças e adolescentes num ambiente de algoritmos opacos e conteúdos potencialmente danosos.

E onde o Brasil entra nessa história? O país ainda não possui uma lei geral que simplesmente proíba redes sociais para menores de 15 ou 16 anos, mas já avançou com o chamado ECA Digital, que obriga plataformas a adotarem mecanismos confiáveis de verificação de idade e a classificarem conteúdos por faixa etária, vedando a mera autodeclaração como único critério. Tecnicamente, trata-se da Lei nº 15.211/2025 que é uma atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente que estabelece regras estritas para a proteção de menores no ambiente online, entrando em vigor em março de 2026. Em paralelo, projetos como o PL 2.628/2022 propõem restringir a criação de contas por menores de 12 anos e endurecer as regras de proteção, e mais recentemente surgiu proposta na Câmara para proibir o acesso de menores de 16 anos às redes, com dever de controle mais pesado sobre cadastros de adolescentes. Na prática, o Brasil vive um descompasso entre políticas privadas e a pressão por regulação. As principais plataformas já afirmam, em seus termos de uso, que a idade mínima para criar conta é de 13 anos, mas o controle efetivo é frágil e facilmente burlado.  Ao mesmo tempo, a agenda política brasileira começa a olhar para modelos como Austrália, França, Itália e Portugal, ainda sem dispor de uma infraestrutura de identidade digital tão integrada quanto a Chave Móvel Digital portuguesa, nem de um padrão nacional de verificação etária como o que a União Europeia tenta construir. O desafio brasileiro, portanto, não é apenas escolher um número – 12, 13, 15 ou 16 anos – para fixar a “maioridade digital” nas redes. A questão central é decidir que arquitetura jurídica e tecnológica queremos adotar: se repetiremos a aposta em proibições amplas, com alto risco de exclusão e fiscalização ineficaz, ou se construiremos um modelo que combine educação digital, corresponsabilização de famílias, deveres proporcionais das plataformas e mecanismos de verificação que não transformem a infância em permanente objeto de vigilância estatal.

Nesse ponto, mais do que importar soluções prontas, o Brasil tem a oportunidade – e a responsabilidade – de aprender com os acertos e erros dessa breve, mas acelerada, evolução internacional da regulação das redes sociais para menores.


Por Claudio Carneiro

(Advogado e PhD em Direito)

@claudiocarneirooficial

SHOW

 RoB Love apresenta show de lançamento de MAGIK no Manouche

Álbum foi produzido com Kassin e Mário Caldato Jr.

A cantora e compositora RoB Love apresenta no dia 19 de março, no Manouche, no Rio de Janeiro, o show de lançamento do álbum MAGIK, produzido por Kassin e Mário Caldato Jr.. A apresentação marca uma nova fase artística da cantora e leva ao palco as doze faixas autorais do disco, que transitam pelo reggae, dub e lovers rock, com letras sobre amor, liberdade e paz. O trabalho consolida a identidade musical de RoB Love ao unir groove e poesia em um show solar e festivo.

Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/116636/d/366870/s/2464537 

A direção geral é de RoB Love e direção artística de Silvia Machete. A banda é formada por Vitor Magal (guitarra), William Paiva (teclado), Charles (bateria), André Mucuim (baixo) e Pablo Lopes (técnico de som).

RoB Love - MAGIK
19 de março de 2026, quarta-feira - 21h
Local: Manouche
Endereço: Rua Jardim Botânico, 983, Jardim Botânico, Rio de Janeiro

GERAL

Ressaca financeira pós-Carnaval: especialista orienta como "estancar" gastos e se preparar para o Imposto de Renda

Professora da UniCesumar orienta passos simples para retomar o controle financeiro no início do ano

Com o fim do Carnaval, muitas famílias começam a sentir o impacto da conta que ficou para depois, principalmente quando o feriado se soma às despesas típicas do início do ano. Para a professora Joenice Diniz, do curso de Ciências Contábeis da UniCesumar de Londrina, a chamada “ressaca financeira” é até frequente, mas não deveria ser tratada como algo aceitável, “ter ressaca financeira não é bom para ninguém”, afirma.

Segundo a docente, o aperto no orçamento costuma ser resultado da concentração de gastos fixos e sazonais em um curto período, caracterizada por contas acumuladas do fim do ano, como IPTU e custos escolares, além de férias, viagens e lazer. “A combinação desses gastos fora do orçamento, somada ao uso de crédito fácil, cria um aperto no caixa logo no início do ano”, explica Diniz.

Por que o começo do ano pesa mais no bolso?

A especialista aponta que o problema não começa no Carnaval, mas se intensifica nele. No início do ano, muitas famílias precisam lidar ao mesmo tempo com despesas que não param, como aluguel, alimentação e contas do dia a dia, e com gastos sazonais, como matrícula, material escolar e seguros.  Com esse cenário, qualquer gasto extra, mesmo que pareça pequeno durante a folia, pode virar um desequilíbrio no mês seguinte.

Entre os deslizes mais frequentes que resultam no endividamento, Diniz cita o uso do cartão de crédito sem planejamento, o gasto além do previsto para “curtir o momento”, a subestimação de custos de viagem e lazer (como transporte e alimentação) e as compras por impulso. Para ela, um orçamento mensal simples já evitaria grande parte desses problemas. “O maior problema é achar que o cartão de crédito é vilão. Ele é apenas um meio de pagamento. Vilão é quem usa esse meio de pagamento de forma indiscriminada”, diz.

O que fazer ao se deparar com a fatura?   

Para quem já está assustado com o valor que vai chegar, a orientação é agir rápido e com método. “Primeira coisa é reconhecer o erro e encarar de frente a dívida”, afirma Diniz. Ela recomenda, como primeiros passos:

  • Separar despesas essenciais das supérfluas;
  • Priorizar dívidas com juros mais altos;
  • Negociar com credores;
  • Montar um orçamento mensal simples (entrada e saída) para enxergar o fluxo.

As consequências da ‘ressaca financeira’ na declaração do IR

Para a professora, a “bagunça” pós-Carnaval pode virar problema na hora de declarar o Imposto de Renda. Quando as finanças estão desorganizadas, ela afirma que é comum perder comprovantes, deixar de conferir extratos e esquecer informações importantes, o que pode gerar erros e aumentar o risco de inconsistências. 

Para evitar correria, a professora sugere que o contribuinte comece a organizar os seguintes informes e comprovantes:

  • Informes de rendimentos (CLT, autônomo, aposentadoria);
  • Informes de bancos, corretoras e investimentos;
  • Comprovantes de despesas dedutíveis (como saúde e educação);
  • Recibos relacionados a dependentes;
  • Documentos de bens e direitos (imóveis, veículos, participações);
  • Extratos de saldo em 31/12 do ano-base.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

CIDADE

 

[novo hub de arte e design] BOOBAM inaugura loja no Rio em movimento de retorno às origens

A BOOBAM, plataforma de design e arte, inaugura no dia 26 de fevereiro sua nova loja no Rio de Janeiro, a primeira na cidade e a terceira da marca. Após consolidar sua atuação física em São Paulo, com unidades em Pinheiros e na Barra Funda, a BOOBAM amplia sua presença e chega a Ipanema, na Rua Garcia d’Ávila, em um movimento que conecta sua origem à criação de experiências presenciais e marca o retorno à cidade natal de seus fundadores.

Criada em 2016 como uma plataforma digital dedicada a aproximar designers brasileiros de seus públicos, a BOOBAM surgiu em um momento em que adquirir peças de design e arte nacionais ainda era um processo restrito. Ao estruturar uma curadoria que reúne grandes, médios e pequenos criadores de diferentes regiões do país, os sócios Thomaz Vidal, Henry Barclay, Marco Azeredo e Fernando Val simplificaram o acesso ao design autoral e ampliaram o alcance da produção contemporânea brasileira.

Ao longo dos anos, esse papel de mediação se fortaleceu. A partir de 2020, com o tempo prolongado dentro de casa, a busca do público por ambientes mais personalizados e com identidade própria se intensificou, e a BOOBAM se consolidou como uma vitrine relevante do design brasileiro, conectando criação, funcionalidade e estética.

A expansão para o varejo físico começou em 2022, com a inauguração da BOOBAM Pinheiros, em São Paulo, em projeto assinado pelo Felipe Hess Arquitetos, indicado ao prêmio ArchDaily na categoria “Building of the Year”. Em 2023, a marca ampliou sua atuação com o lançamento da BOOBAM Arte, selo dedicado à arte contemporânea, com foco em artistas independentes e no estímulo a um novo colecionismo, buscando reduzir barreiras de acesso em um mercado tradicionalmente marcado pela inacessibilidade.

“A abertura da unidade no Rio representa um novo capítulo da nossa trajetória. A loja de Ipanema apresenta uma curadoria ampla e diversa de design, decoração e arte, combinando nomes já presentes no ecossistema da BOOBAM a um recorte especial dedicado à produção carioca”, Georgia Bonisson, head de marketing da BOOBAM.

Entre os destaques estão peças de Studio Pedro Leal, Gustavo Bittencourt, O Ebanista, além de outros criadores que dialogam com a cena contemporânea local. O espaço também passa a ser ponto de venda exclusivo, no Rio de Janeiro, de itens assinados por Frascinco Brennand, reforçando o papel da BOOBAM como plataforma de difusão do design e da arte autoral brasileira.

Um dos diferenciais da unidade carioca é a ampla oferta de peças à pronta-entrega, ampliando o acesso do público a obras de design e arte de forma imediata. Para a inauguração, alguns designers também apresentam lançamentos especiais, incorporados de maneira orgânica à curadoria da loja.

A BOOBAM tem como princípio trabalhar o design e a arte com transparência, aproximando quem cria de quem consome. Esse posicionamento se reflete em uma relação clara com preços e processos, tornando a experiência de aquisição mais direta e acessível, inclusive para quem busca adquirir sua primeira peça de design ou arte. “Somos mais do que uma plataforma de arte e design e sim os difusores de uma cultura ainda em plena expansão no Brasil, país com uma riqueza criativa contemporânea reconhecida internacionalmente”, resume Georgia.

Assim como na loja de São Paulo, o projeto arquitetônico da BOOBAM Ipanema é assinado pelo Felipe Hess Arquitetos. Desta vez, o desafio foi traduzir o conceito da marca em um espaço alinhado ao espírito carioca, sem recorrer a leituras óbvias. Diferente da unidade de Pinheiros, instalada em um galpão de caráter urbano, a loja de Ipanema ocupa um edifício que dialoga com a rua e com a cidade. A fachada, marcada pelo uso de brise, faz referência a elementos presentes na arquitetura moderna do Rio de Janeiro, como o Palácio Gustavo Capanema e o Parque Guinle.

A inauguração da loja é acompanhada pela campanha “Dê uma volta”, inspirada no espírito flâneur carioca e na relação histórica da cidade com a criação artística. O mote convida o público a percorrer a cidade e se deixar surpreender pelos encontros, refletindo a própria trajetória da BOOBAM, marcada pela adaptação, reinvenção e pela união entre design, arte e tecnologia. Agora, essa curadoria retorna a Ipanema para ampliar ainda mais o contato entre criadores e admiradores.

DESAFIOS A EMPREENDER

 Martuscelli.Co investe R$ 4 milhões na Porsche Cup e aposta no automobilismo como plataforma de negócios

Martuscelli.Co anuncia sua entrada oficial no automobilismo com a criação do Team Escape, escuderia que estreia na temporada 2026 da Porsche Cup Brasil. O movimento consolida a expansão do grupo como um ecossistema integrado de comunicação, mídia proprietária, experiências premium e geração de negócios.

O projeto nasce com investimento total estimado em R$ 4 milhões, contemplando operação esportiva, estrutura técnica, logística, gestão e comunicação, além da integração estratégica com a Escape Magazine, responsável pelo PR, conteúdo editorial e ativações de marca ao longo da temporada.

“O automobilismo representa, na prática, o conceito de ecossistema que defendemos: performance, narrativa, relacionamento e experiência conectados em uma única plataforma. A Porsche Cup reúne exatamente o público, o ambiente e os valores que dialogam com o nosso posicionamento”, afirma Fabio Martuscelli, CEO da Martuscelli.Co.

O Team Escape entra na competição com uma estrutura profissional formada por 15 pessoas, entre engenheiros, mecânicos, equipe técnica, gestão e staff, além do núcleo de comunicação e PR da Escape Magazine. A operação foi desenhada para garantir consistência esportiva, eficiência operacional e entrega de valor para parceiros e patrocinadores.

A equipe disputará a temporada na categoria Challenge e também a última prova Endurance, reforçando o compromisso com uma presença relevante e competitiva dentro do campeonato. Ao longo do ano, o Team Escape estará presente em sete etapas, incluindo provas no Brasil e uma etapa internacional em Portugal - Algarve, demonstrando preparo, planejamento e visão de longo prazo.

 

Além da performance em pista, o projeto foi concebido como uma plataforma estratégica de relacionamento. A Porsche Cup é hoje um dos ambientes mais relevantes de negócios do país, reunindo empresários, líderes, investidores e marcas premium em experiências que extrapolam o esporte. “Não se trata apenas de correr, mas de criar conexões reais, oportunidades comerciais e experiências memoráveis para marcas e parceiros”, complementa Martuscelli.

Integrado ao ecossistema da Escape Magazine, o Team Escape amplia seu alcance por meio de conteúdo proprietário, ativações, eventos corporativos e experiências exclusivas em etapas selecionadas do calendário. A iniciativa reforça a visão da Martuscelli.Co de que on e off se complementam e de que esporte e entretenimento são ativos estratégicos para marcas que buscam diferenciação e resiliência em ciclos econômicos mais voláteis.

Com a estreia na Porsche Cup Brasil 2026, a Martuscelli.Co acelera sua estratégia de longo prazo, unindo automobilismo, mídia, conteúdo e relacionamento em um único projeto proprietário. E em 2027 pretende correr Le Mans.