O Irã controla o Estreito de Ormuz. Ponto final
Ricardo Labatt
Não se trata de simpatia com um, ou com o outro, lado. É apenas uma análise séria e sem paixão. A verdade que te omitem através de narrativas.
Emirados, Kuwait e Bahrein são vistos pelo Irã como Estados a serviço do Imperialismo Britânico e, o Irã não os aceita desta forma. Assim, a única saída para eles é ceder às exigências iranianas e pedir para todos os norte-americanos e israelenses para saírem. E não se assustem se, em médio prazo, o Iraque voltarem a incorporar o Kuwait.
Em resumo a única saída para esse confronto são os EUA serem expulsos do Golfo, ou se concentrarem em Israel, por falta de opções de bases, o que para o Irã, caso atacado, seria um sonho.
Os sistemas de defesa caríssimos tão alardeados como intransponíveis, apesar das narrativas repetidas pela grande mídia, se mostram incapazes de interceptar nem 20% dos mísseis e drones lançados pelo Irã. Há centenas de vídeos onde fica evidente a inoperância dos MIM-104 Patriot e do IronDome.
E o que é pior e ninguém fala: Os estoques de mísseis de ataque e de defesa dos EUA estão quase zerados e há dezenas de navios, em missão, navegando em áreas de conflito sem mísseis nos tubos.
Na realidade os EUA estão gritando tanto por não terem condições de combate. Assim, no desespero, usam a projeção de poder que construíram na cabeça dos outros através de Hollywood para tentar se impor. Porém, o Irã está mostrando o quanto os EUA são muito menos capazes do que alardeiam.
Na história da humanidade observamos que todo império quando sente que não consegue se manter cria situações desesperadas que só aceleram a queda. Estamos num momento único, presenciando a queda do Império unipolar do EUA. Uma dominação que se tornou evidente, no Ocidente, a partir do final da Segunda Guerra e se consolidou com a queda da URSS e, fora a propaganda de Hollywood, parou no tempo.
Ocorre que a China, a Rússia e mesmo o Irã, com milhares de restrições internacionais e embargos econômicos – impostos pelos EUA – criaram tecnologias que, nem em 20 anos os EUA conseguiriam igualar, mesmo se tivessem matérias primas básicas para desenvolvê-las e produzirem, mas a China não vende mais para eles e a Rússia está começando a restringir, mesmo que de forma tímida, a demanda de minerais imprescindíveis.
Em paralelo a tudo isso o desespero norte-americano, se desencadeia numa guerra por petróleo. Por isso fizeram a operação financeira na Venezuela que resultou na troca de governo, no “sequestro de Maduro” e no roubo de recursos com a conivência de Diosdado Cabello e a presidente interina Delcy Rodríguez, que hoje ocupa o Palácio de Miraflores. Fato que em nada beneficia o povo venezuelano, pelo contrário, o transforma em massa de manobra explorada pelo “Vice-Rei” Marco Rubio.
Por influência e conjecturas implementadas por Israel, Trump foi levado a acreditar que conseguiria uma vitória rápida no Irã. Para tanto desestabilizaram a moeda iraniana, o Rial, provocaram através do Mossad e da Cia, a transformação de protestos reais por descontentamento com as políticas econômicas do Presidente Pezeshkian em uma tentativa de “Revolução Colorida”, assassinaram o líder religioso pacifista dos xiitas, o Aiatolá Khamenei e apenas conseguiram entrar numa guerra, que toda semana Trump – apesar das bravatas - implora para sair, mas Netanyahu o sabota.
O fato é que as reservas de petróleo dos EUA nunca estiveram tão baixas, acredita-se que suficientes apenas para duas ou quatro semanas e, com o controle do Estreito por parte do Irã e de Omã – em águas territoriais deles – a crise norte-americana e do planeta só se agrava.
Nenhum acordo assinado pelos EUA, em toda a sua história, foi honrado. Sempre são rasgados de acordo com sua conveniência e este não seria diferente, uma vez que ceder a todas as exigências do Irã seria uma humilhante derrota. Porém, não existe nada que os EUA possam fazer neste caso além de capitular. O Irã tem o total controle da situação já que nenhuma companhia de seguros aceitaria os riscos de não ter segurança na navegação.
De certo que grande parte do sucesso iraniano se deve ao BeiDou (também chamado de BDS - BeiDou Navigation Satellite System), um sistema desenvolvido pela China para garantir independência em relação aos sistemas ocidentais, o BeiDou possui cobertura global, contando com mais de 50 satélites em órbita, enquanto os concorrentes como GPS dos EUA, utiliza de 24 a 31, o Galileu da União Europeia opera com 27, o Glonass, da Rússia faz uso de 24 e o NavIC/IRNSS, da Índia, focado apenas na Ásia trabalha com 8 satélites.
A verdade é que o Irã nunca escolheu a guerra, mesmo ao ser vítima de inúmeros assassinatos extra judiciais seletivos e ataques diversos a sua economia através de embargos, retenções ilegais de capital, congelamento de ativos que somam aproximadamente US$ 2 bilhões, além de sanções. Na realidade é o País mais sancionado do mundo.
Israel por outro lado, não pode escolher a paz. Precisa da guerra para ampliar suas fronteiras – nunca definidas – na tentativa de criação do cada vez mais distante “Greater Israel” e para manter Netanyahu longe da cadeia, o que deve ser inevitável após as próximas eleições, quando o LIKUD, seu partido, parece que enfrentará uma derrota histórica.
A crise mundial de petróleo só amplia, inclusive após a grande burrada da Arábia Saudita, que cedeu a pressão norte-americana e atacou o aeroporto de Saná, no Iêmen, na tentativa de matar a comitiva iemenita que participou dos funerais do líder iraniano. Recebeu de volta ataques vorazes e as promessas de destruição do oleoduto de Yambu e do fechamento do estreito de Bad el-Mandeb.
A China, mesmo podendo ter esse corredor de fornecimento prejudicado, possui reservas de petróleo e de carvão, além de fontes alternativas, para se manter por quase um ano. A Rússia, mesmo tendo suas refinarias atacada por drones da OTAN, com o uso de coordenadas cedidas pela Inglaterra, pela União Europeia e pelos EUA, usando bandeiras ucranianas, também não sofreria tanto. Porém, o Japão, a Austrália e o Ocidente entrariam numa crise de energia sem precedentes. Pior que a de 1973.
Não digo que não seriam afetados pois as exportações e o crescimento projetados terão grandes quedas por conta do empobrecimento do planeta. Portanto sempre aciona o Paquistão para tentar soluções para a crise do Golfo e continuará fazendo. Assim, não se assustem se na semana que vem, Trump declarar que já destruiu o Irã (pela centésima vez) e, implorando por uma saída, criar mais uma vez a narrativa de que os iranianos estão desesperados por um acordo. Nada diferente do que já vez outras vezes. Procura desesperadamente uma porta e, quando encontra, Netanyahu a explode. E voltam as bravatas, os ataques e sempre culpam o Irã pelas violações.
E segue o baile...
O que não te contam é que o Irã só precisa atingir 9 (nove) alvos repetidamente: As duas bases no Kuwait; o Quartel General da 5ª Frota no Aeródromo do Bahrein; a Base aérea de Al Udeid, no Catar; a Base Aérea de Al Dhafra, nos Emirados e as duas na Jordânia, a Príncipe Hassan e a Base Aérea de Muwaffaq Salti (também conhecida como Base Aérea de Al-Azraq) na Jordânia para forçarem os EUA a abandonarem o Golfo Pérsico e talvez, se concentrarem em Israel, o que tornaria as coisas ainda mais fáceis para o Irã.
Também não te dizem, que na semana passada, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI), Mohammad Eslami, declarou que caso os EUA continuem a bombardear a infraestrutura iraniana o país se verá obrigado a rever a doutrina atômica, se retirando do TNP (Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas) além de tratar do fechamento do Estreito que dá acesso ao Mar Vermelho, fato apressado pela Arábia saudita esta semana ao atacar os Houthis.
Nem que os EUA se aproveitaram do funeral de Khamenei - assassinado por eles - que durou uma semana para tentar pegar o Irã distraído e tentar conseguir uma vitória rápida, mas a frota foi repelida e a resposta iraniana foi firme, imediata e devastadora. Além do que os EUA só estão fazendo uma campanha aérea, sem adentrar no território e, sem botas no terreno não se vence.
Agora, os EUA se veem obrigados a descongelar os fundos iranianos imediatamente, suspenderem as sanções contra o Irã, retirar Israel do sul do Líbano, desativar os bloqueios em águas internacionais, ou sofrer o que foi pedido nas ruas das grandes cidades iraniana: Vingança.
