segunda-feira, 26 de outubro de 2026

CAFÉ COM LABATT





Ricardo Labatt




ACABOU A ELEIÇÃO. É HORA DE UNIR O BRASIL

Ambos os espectros políticos se beneficiam dessa idiotice de "cuminstas" e "fascistas" por isso incentivam e fomentam os tolos que se alimentam dessa baboseira.

Jair teve a oportunidade de pôr um fim nisso, mas tanto ele, quanto a sua bancada e aliados preferiram botar fogo no parquinho e se beneficiarem dos que, cheios de ódio, classificaram, denominaram e verbalizaram que todo aquele que não era membro dessa seita autodenominada Bolsonarista, era ”cumunista”.

São OITO anos de lenha na fogueira.

Oito anos de cada lado ofendendo, acusando o lado oposto.

Lula poderia também ter dado um basta nisso. E caso o fizesse na semana anterior à eleição teria se reeleito com muito mais folga que os 3,48% de diferença.

Bastava, num ato magnânimo, ter ANISTIADO TODOS OS ENCARCERADOS pelo 8

de janeiro. Teria tirado esta bandeira das mãos do seu adversário e se colocado como um ESTADISTA. Imaginem quantos milhares poderiam ser vistos através da mídia se reconciliando com familiares... Imaginem o efeito desta imagem...

Tanta grandeza na atitude.

Poucos sabem, mas a bancada bolsonarista e, principalmente a família bolsonaro, só aceitava levar a votação o projeto de ANISTIA dos presos no 8 de janeiro se o nome de Jair fosse incluído. Já a bancada do governista não aceitava incluir Bolsonaro.

Esse foi o motivo pelo qual todos os presos e condenados pelo 8 de janeiro

continuam encarcerados até hoje.

Os antes iludidos, depois influenciados e, mais tarde, levados a cena do crime, participando, ou não dos atos de vandalismo, foram TODOS abandonados pelo que

consideravam um MITO abençoado e, usados como moeda de troca numa negociação que não rendeu frutos. Libertar Jair, o “Messias”, era a única meta dos mesmos que, também por omissão de Jair, abandonaram Daniel Silveira dentre outros perseguidos.

Mas, alheio a tudo isso, Lula PERDEU A CHANCE DE UNIR O BRASIL, tal qual foi

feito ao fim do Regime Militar, que deu origem a esta nefasta Nova República. Mas

ainda pode fazê-lo.

Se ao invés de ter conduzido o caso das Bets de forma tão desastrosa e, ainda

cometer o erro de insistir em tentar justificar seu ato, errado na forma que foi

aplicado mas não na intenção, não teríamos, no Rio, a manutenção da turma do

Cláudio Castro no Palácio das Laranjeiras, com diferentes representantes e

figurantes... e provavelmente, o Palácio do Planalto não teria corrido o risco de se

tornar a sede da Administração Colonial do Brasil.

Mas não é hora de questionar os atos dos que detém o poder de decisão. Esses

grupos antagônicos cegados pela ira, ao invés da clareza da visão tanto, como política?

Diante desta esmagadora vitória, Lula, mais uma vez, terá a chance de unir e pacificar este País. O derrotado também deveria ter tido responsabilidade de aceitar o resultado, discursar pela pacificação e, praticar uma oposição                  responsável. Mas, tratando-se de quem é, e já tendo preparado anteriormente um cenário para discursos de “vitimismo” e revanchismo, lógico que não teria essa grandeza.

Mas devido aos personagens envolvidos, aos interesses do Legislativo, cito os

membros de ambas as vertentes, e da própria massa que se fecha em bolhas

opostas, mesmo que torça muito por essa pacificação, não creio que aconteça.

Assim, mais uma vez, caso não haja uma pacificação, não importa quem tenha

vencido, o País sairá dividido e perdendo.

Na realidade essa divisão serve aos políticos mas não ao País. Portanto, ainda

tenho esperanças que o povo brasileiro passe a expurgar os que os dividem e deem apoio aos que se empenham pela união. Afinal, somo todos UM SÓ BRASIL.         

sábado, 24 de outubro de 2026

CULTURA

 

“Epifania” transforma criação, vazio e urgências do mundo contemporâneo em nova fábula musical


Com sete atores multi-instrumentistas, o novo espetáculo original de Vitor Rocha estreia em 28 de outubro, no Teatro Estúdio, e aborda criatividade, hiperconexão, solidão e a pressão para que tudo precise ter uma finalidade.

                                                                          André Leão 

O que acontece quando até aquilo que nasce do prazer, da curiosidade e da necessidade de criar passa a precisar de uma finalidade? É a partir dessa inquietação que nasce “Epifania - Uma Fábula Moderna”, novo musical original de Vitor Rocha, que estreia em 28 de outubro, no Teatro Estúdio, em São Paulo, onde cumpre temporada às quartas e quintas até 17 de dezembro. Com sete atores multi-instrumentistas em cena, o espetáculo, produzido pela Encanto Artístico Produções e Girassol Produções, mistura fantasia e questões profundamente contemporâneas como hiperconexão, FOMO, solidão, excesso de estímulos e a constante pressão por desempenho e validação para falar sobre criatividade. Os ingressos estão à venda pela Sympla.


A história se passa num tempo fictício, mas que se confunde com hoje em dia, o tempo do moderno, do consumo e da informação, onde Filipa, uma compositora vivida por Luiza Porto, se vê frente a frente com o destino que sempre desejou, mas a oportunidade que poderia mudar sua carreira também traz consigo uma espécie de bloqueio criativo que leva embora o seu dom para a música. Sua jornada, ao lado de seu vizinho Valério, interpretado por Diego Rodda, para recuperá-lo e colocar tudo nos eixos outra vez, inventa uma fábula épica que nos devolve ao tempo antes do tempo — quando tudo era apenas nada, um grande vazio — e ao encontro das criadoras de todos os conteúdos, as maiores, as primeiras, elas: Primas, vividas por Anna Toledo, Marília Lopes e Aline Cunha. O grande vazio e o seu poder de se alastrar sempre encontram uma brecha, é assim desde antes de tudo e será enquanto houver o que há. Mas a essência nunca se engana e uma epifania pode ser a saída de todos os problemas, Filipa só precisa criar!


Sem demonizar a tecnologia ou transformar suas provocações em discurso moralista, o musical aproxima a fábula das inquietações de uma geração permanentemente conectada. Seus personagens convivem com notificações, distrações, comparação, pressa e a sensação de que alguma coisa mais importante pode estar acontecendo em outro lugar. Ao mesmo tempo, a obra chama atenção para uma contradição cada vez mais presente: sabe-se muito sobre aquilo que acontece do outro lado do mundo e, muitas vezes, quase nada sobre quem está logo ao lado.


Esse conflito também determina a própria forma de contar a história. Marco França e Laura Castro interpretam Verso e Fábula, dois narradores que discordam continuamente sobre como a trama deveria avançar. Enquanto um quer chegar diretamente ao que considera importante, o outro reivindica o tempo da fantasia, dos começos, das imagens e da construção de uma história. Em meio a esse embate, a dramaturgia brinca com as convenções do próprio teatro propondo uma valiosa reflexão sobre a forma e o conteúdo em tempos de tanta criação de conteúdo.


A música ocupa lugar central nessa construção. Os sete integrantes do elenco são multi-instrumentistas e transitam por diferentes instrumentos ao longo do espetáculo. O grupo reúne artistas que, para além da interpretação, também se dividem entre a composição, a escrita e outras frentes criativas, conduzindo uma trilha sonora original que inclui ainda passagens instrumentais e abre espaço para que o som, o silêncio e o tempo também conduzam a narrativa, sem a necessidade permanente da palavra.


Essa ideia se estende visualmente ao palco. É desse espaço vazio que ambientes e imagens vão sendo construídos diante do público, em uma concepção que acompanha a própria origem da história: tudo começa no nada, a partir da página em branco, e ganha forma a partir da criação. A direção de movimento é de Fabrício Licursi, enquanto os arranjos musicais são assinados por Marco França.


“Epifania” marca também um novo momento autoral na trajetória de Vitor Rocha. Premiado por trabalhos no teatro musical e responsável por títulos que ganharam diferentes temporadas e montagens dentro e fora do país, o artista chega com a obra ao décimo espetáculo de sua autoria encenado e retorna a uma criação inteiramente própria depois de cerca de dois anos dedicados também à retomada de trabalhos anteriores e a projetos desenvolvidos para outros contextos. Embora Filipa seja uma compositora, e não um dramaturgo, Rocha reconhece nela conflitos muito próximos daqueles que atravessaram seu próprio processo criativo.


“Eu acho que nunca fiz um espetáculo tão pessoal na minha vida. É a minha cabeça aberta ali no palco, nessa história. O meu processo criativo visto de dentro”, afirma Vitor. A ideia de criar as “Primas” surgiu ainda em janeiro, mas foi no fim de julho que o autor decidiu transformar aquele universo em seu próximo musical. Texto, músicas e letras ganharam forma em um mergulho concentrado durante o mês de agosto e chegaram à sala de ensaio ainda abertos ao encontro com os demais criadores da montagem.


O próprio título parte dessa relação com a criação. Epifania remete ao instante de uma percepção súbita, quando algo até então disperso parece finalmente ganhar forma e sentido. Na dramaturgia de Rocha, alcançar essa essência está menos relacionado ao resultado produzido a partir de um talento do que à possibilidade de reconhecer aquilo que cada pessoa é capaz de colocar no mundo.


“Pensei muito durante esse processo: o que seria alcançar a minha essência? E acabei concluindo que a minha essência é fabulosa e fabulesca, é assim que as coisas ganham forma através de mim”, explica.


Entre fantasia e realidade, “Epifania” transforma o vazio em possibilidade. Em vez de oferecer respostas prontas sobre produtividade, tecnologia ou criação, o musical propõe um olhar para aquilo que pode desaparecer quando todas as experiências passam a ser medidas por resultado, velocidade ou utilidade. E para o que talvez ainda possa nascer quando existe espaço suficiente para que uma fagulha permaneça acesa.


Epifania - Uma Fábula Moderna


Estreia: 28 de outubro de 2026

Temporada: até 17 de dezembro

Sessões: quartas e quintas às 20h

Local: Teatro Estúdio

R. Conselheiro Nébias, 891 - Campos Elíseos, São Paulo - SP, 01203-001

Ingressos: R$ 120,00 [inteira] R$ 60,00 [meia]

Vendas: Sympla

https://bileto.sympla.com.br/event/127008

Classificação: livre