TRUMP VOLTA DA CHINA DE MÃOS VAZIAS
Ricardo Labatt
Trump retornou bravateando e iludindo os americanos com mentiras. Disse que a China comprará centenas de aviões da Boeing e Chips da Nvidia.
Mas não vai!
A China tem contratos com a Airbus e não pretende mudar para a Boeing.
Sobre os Chips da Nvidia... ela não precisa, já os desenvolveu.
Na verdade, Trump voltou de mãos abanando, foi humilhado e tomou um pito de Jinping.
A China mostrou que não tem o mesmo respeito, nem tem nenhum receio dos EUA. Foi firme com relação a Taiwan alertando aos EUA para não tentarem impedir que a ilha rebelde de Taiwan seja reincorporada a China continental.
Durante a visita, a equipe norte-americana experimentou o impensável: Ficou retida por mais de 30 minutos enquanto Scott Bessent- Secretário do Tesouro dos EUA - ficou retido na porta do Grande Salão do Povo, por mais de 20 minutos, até que recebesse o crachá adequado que permitisse que adentrasse. Seguranças chineses se colocaram a sua frente impedindo, ostensivamente, o seu acesso.
Já no Templo do Céu foi pior. Oficiais e seguranças da presidência norte-americana foram informados que armas não eram permitidas no recinto.
A equipe e, os seguranças de Trump ficaram retidos por mais de 30 minutos até que se desfizessem das armas para adentrarem e acompanharem Trump.
Em resumo, conforme informam jornais iranianos e chineses, a China dialoga com Washington, mas não a ponto de sacrificar Teerã e, está ao lado do Irã, mas não a ponto de confrontar os EUA belicamente, por enquanto.
No Golfo, enquanto não há definições de paz e a aceitação completa das exigências iranianas por parte dos EUA e de Israel, a Arábia Saudita propôs hoje, dia 14, um pacto de não agressão com o Irã.
SOBRE OS DELÍRIOS DE INDEPENDÊNCIA DO ESTREITO DE ORMUZ
Antes de se aceitar as narrativas dos que não conhecem geografia, história, logística e infraestrutura do Golfo, é necessário se pontuar alguns detalhes reais.
O Canal de Suez, inaugurado em 1.869, com profundidade máxima de 24 metros, levou 10 anos para ser construído e tem aproximadamente 193 km de extensão, ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho.
O Canal do Panamá, inaugurado em 1.914, com profundidade máxima de 25 metros, possui cerca de 82 km de extensão e levou 30 anos para ser construído.
A extensão de terra da Arábia Saudita entre o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico, percorrido pelo “Petroline” é de 1.200 km. O oleoduto que conecta os campos petrolíferos de Abqaiq, no Golfo Pérsico, ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, mede mais de 6 vezes o cumprimento do Canal de Suez, que levou 10 anos para ser concluído, o que inviabiliza um novo Canal e ainda apresenta um probleminha simples: Na profundidade de Suez, apenas petroleiros de médio porte, conhecidos como “Suezmax”, passam pelo Canal de Suez totalmente carregados, com um limite máximo de 1 milhão de barris.
Já os gigantes das categorias VLCC (Very Large Crude Carrier) e ULCC (Ultra Large Crude Carrier) não conseguem atravessa-lo devido às restrições de profundidade e largura.
No caso de necessidade extrema de travessia, é imperativo que se aplique a “Operação Transhipment”, quando grandes petroleiros (VLCCs) descarregam parte de sua carga em navios menores, ou em oleodutos (como o oleoduto SUMED) antes da entrada, recarregando a carga do outro lado do Canal.
A operação de transbordo, conhecida no jargão logístico como “transshipment”, tem um custo médio entre US$ 800 mil e US$ 1 milhão e, atrasa a travessia em até 5 dias adicionados a uma operação normalmente feita em 16 horas.
Assim, muitos superpetroleiros evitam o Canal de Suez e contornam todo o continente africano (passando pelo Cabo da Boa Esperança), adentrando ao Mar Vermelho, pelo sul, através do Estreito de Bab el Mandeb, dominado pelos Houthis, especialmente quando as embarcações estão com a capacidade máxima.
Já na hipótese veiculada por delirantes Canais de Internet, de não utilização do Estreito de Ormuz, a saída pelo sul da Arábia Saudita poderia ser através de um suposto e imaginário Canal, a ser construído, que certamente teria que ser combinado com Omã (sócia do Irã no Estreito de Ormuz), ou com o Iêmen dos Houthis – aliados do Irã.
Em quaisquer das hipóteses, este hipotético Canal teria que ter 300 km de extensão, a partir da fronteira sul da Arábia Saudita com qualquer dos dois países, e serem construídos com uma profundidade de mais de 40 metros. O Canal de Suez, na parte mais profunda, possui apenas 24 metros de profundidade.
Em resumo, não passam de delírios de quem nada sabem.