Ronco e sono agitado: otorrino alerta para os sinais de problemas nas amígdalas e adenoides
As estruturas fazem parte do sistema imunológico e funcionam como primeira barreira de proteção na entrada das vias aéreas
Roncar, respirar pela boca e ter otites e dores de garganta frequentes são queixas comuns na infância. No entanto, em alguns casos, esses sinais indicam problemas nas adenoides e nas amígdalas, estruturas que nem sempre precisam ser retiradas, mas que merecem avaliação.
De acordo com Leila Crisigiovanni, médica otorrinolaringologista e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), essas estruturas desempenham um papel importante na defesa do organismo.
“Amígdalas e adenoides fazem parte do sistema imunológico. Elas funcionam como primeira barreira de proteção na entrada das vias aéreas, reconhecendo vírus e bactérias e ajudando a produzir defesas, principalmente nos primeiros anos de vida”, explica.
Fique atento aos sinais
Alguns sintomas passam despercebidos ou são vistos como algo passageiro pelos pais e responsáveis. “Muitas vezes a criança dorme mal e isso aparece como desatenção ou agitação durante o dia. Os pais não associam ao problema respiratório”, alerta a especialista.
Confira alguns pontos de atenção:
- Ronco frequente e pausas na respiração durante o sono;
- Respiração pela boca, inclusive durante o dia;
- Sono agitado, xixi na cama e cansaço ao acordar;
- Baixo rendimento escolar e dificuldade de concentração;
- Voz anasalada e dificuldade para engolir alimentos mais sólidos.
Adenoide aumentada pode afetar a audição?
A adenoide aumentada pode, sim, afetar a audição. Por ficar próxima à abertura da tuba auditiva, ela pode bloquear a ventilação do ouvido e favorecer o acúmulo de secreção, levando a otites frequentes e perda auditiva temporária.
“Uma criança que parece não ouvir bem pode ter secreção atrás do tímpano. Isso interfere no aprendizado e na fala”, ressalta.
Amígdalas e adenoides maiores precisam de cirurgia?
Crianças costumam ter amígdalas e adenoides maiores, e isso, por si só, não é doença. O tamanho aumentado é esperado em determinadas idades.
“A cirurgia só é indicada quando há prejuízo à saúde, como obstrução respiratória, distúrbios do sono ou infecções recorrentes”, afirma a médica. Em muitos casos, o acompanhamento e o tratamento clínico são suficientes.
A especialista também ressalta que não existe uma idade ideal para a cirurgia, e sim o momento certo de cada criança dependendo da gravidade do caso. “A indicação só pode ser feita após uma rigorosa avaliação clínica, com ajuda de exames endoscópicos ou de imagens que comprovem o prejuízo causado por estas estruturas”, conclui Leila.


