MINISTRO DO STF
ANDRÉ MENDONÇA
IBMR recebe terceira edição do Ânima Compliance Experience no Rio de Janeiro
O RH está mudando: IA, talentos e riscos trabalhistas entram no centro das decisões
Employer Summit 2026 reúne especialistas para discutir os desafios que estão ampliando o papel estratégico dos profissionais de Recursos Humanos
O avanço da inteligência artificial, a escassez de profissionais qualificados, as mudanças no perfil da força de trabalho e o aumento da atenção aos riscos trabalhistas estão mudando o papel do Recursos Humanos nas empresas. Questões que antes eram tratadas de forma mais isolada passaram a exigir decisões integradas entre gestão de pessoas, liderança, tecnologia, segurança do trabalho e estratégia empresarial.
Esse cenário estará no centro dos debates do Employer Summit 2026, que será realizado de 14 a 16 de outubro, em formato online e gratuito. Em sua 8ª edição, o evento reunirá profissionais, executivos e especialistas para discutir desafios que já fazem parte da rotina dos departamentos de RH e que devem ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
A programação está organizada em quatro trilhas: RH Estratégico, Gestão de Pessoas, Tecnologia e Legislação. Entre os temas estão o que a alta liderança espera do RH, os impactos da inteligência artificial sobre competências e trabalho, a liderança de equipes multigeracionais, a experiência do colaborador, a segurança e saúde do trabalho e a governança trabalhista.
Um dos debates parte de uma questão cada vez mais presente nas organizações: “Performance não acontece por acaso: o que a alta liderança espera do RH estratégico?”. A discussão coloca em foco a necessidade de aproximar as decisões relacionadas às pessoas dos objetivos e resultados do negócio.
A transformação tecnológica também ganha espaço com o painel “O futuro do trabalho: IA, competências, tecnologia e o papel estratégico do RH”. A adoção da inteligência artificial vem alterando processos e funções e, consequentemente, aumentando a necessidade de desenvolver novas competências e repensar a atuação dos profissionais de Recursos Humanos.
Outro eixo do encontro trata de um desafio que ganhou importância para as empresas. O tema “SST e RH: como reduzir riscos antes que eles se tornem passivos” aborda a conexão entre gestão de pessoas, segurança e saúde no trabalho e prevenção de problemas que podem gerar impactos trabalhistas e financeiros.
Talentos e liderança entram na agenda
A disputa por profissionais também está relacionada às mudanças na experiência oferecida pelas empresas. O Employer Summit terá debates sobre o chamado “apagão de talentos” e sobre como a jornada do colaborador pode influenciar a capacidade das organizações de atrair e reter profissionais.
A liderança multigeracional será outro ponto da programação. Com profissionais de diferentes faixas etárias convivendo nas mesmas equipes, empresas precisam lidar com expectativas, formas de trabalho e perspectivas distintas. O desafio passa a ser transformar essa diversidade em uma vantagem para o negócio.
Na frente de legislação, o evento discutirá ainda a governança trabalhista, com foco em como o RH pode contribuir para reduzir riscos, melhorar processos e fortalecer a segurança das organizações.
Especialistas de diferentes áreas
Entre os nomes confirmados para o Employer Summit estão Carolina Mendes Coelho, psicóloga organizacional; Ezi Fantin, gerente HR Business Partner da Agrifirm Nutrição Animal; Fernanda de Souza Dutra, advogada trabalhista empresarial da João Advogados; Joelma Soares, HR Business Partner Manager da Zhongshan Química do Brasil; e Alisson Gratão, superintendente de Gestão de Pessoas da Copagril.
A diversidade de perfis entre os participantes acompanha a própria transformação do RH, que passou a atuar de forma mais integrada com áreas como tecnologia, jurídico, segurança do trabalho e liderança.
O Employer Summit chega à 8ª edição com um histórico de mais de 100 palestrantes e 9 mil participantes, segundo a organização. O evento será realizado entre 14 e 16 de outubro, das 14h às 16h, com participação gratuita e transmissão online.
As inscrições podem ser feitas pelo link oficial do evento https://employer.com.br/
Tragédia de Copacabana
Pedro Cardoso da Costa
Interlagos - SP
Nada mais ilustrativo do que o fato de o linchamento de um inocente ter ocorrido no bairro da mais famosa praia brasileira, em meio a um clima de diversão e de roda de samba. De pronto: mesmo que fosse um ladrão de bicicleta ou de qualquer outra coisa, o crime teria a mesma gravidade.
Num dia como qualquer outro, um homem resolve dar uma volta pela cidade e se utiliza da bicicleta da irmã. Foi para um local de seu interesse.
Nessa rua havia um “segurança” que, pela sua própria análise, deveria detectar ladrões em razão do que cada pessoa teria condições de possuir ou não, ou de portar determinado bem ou objeto supostamente roubado.
Daí, chegou à conclusão de que a bicicleta que estava em posse de Cláudio Rafael Landeiro era roubada. Segundo o noticiário, indagado sobre qual elemento indicativo o havia levado a essa conclusão, a resposta foi que nenhum havia.
Mesmo assim, com outro segurança da rua, conseguiu um porrete, e a pessoa que aparece nas imagens entregando o objeto também não deve ser ignorada pelas investigações. Em seguida, começou a sessão de tortura.
Como se fosse um festim, ao encontrar dois entregadores no corre-corre do espancamento, os convidou para participarem do entretenimento da tortura. O pior é que os rapazes aceitaram com a maior naturalidade do mundo. Essa predisposição ao sadismo ainda teve o reforço de outro homem, que parou o carro para dar alguns golpes.
Além desses, alguns passaram, viram e ignoraram. Existe o medo mesmo de sobrar para quem tentar, mas não consta que alguém que tenha presenciado a cena tenha se afastado para chamar a polícia. Não consta que, mesmo entre os participantes, alguém tenha se compadecido, achado suficiente e pedido para parar.
Também merece observação o fato de a tortura ter durado de seis a nove minutos, com mais de 60 pauladas, algo que certamente deve fazer barulho e nenhuma imagem instantânea ter sido captada pela polícia e nenhuma viatura passou pelo local. Também não passou quando outros resolveram matar Moïse Mugenyi Kabagambi.
Estava tão divertido que um dos agressores aparece rindo nas imagens, depois de deixarem o rapaz desfalecido no chão. É o mesmo que concluiu que a bicicleta era roubada sem nenhuma informação e que, “apenas” com pouco mais de sessenta pancadas, principalmente na cabeça, não tinha a intenção de matar, nem a noção de que esse número de golpes poderia matar até um robô.
Como o número de assassinatos no Brasil passa de 40 mil por ano desde 1997, ininterruptamente, matar pessoas foi se naturalizando. E, para alguns, chega a ser entretenimento. Porém, pela banalidade ou crueldade, alguns casos tomam conta do noticiário.
Muitos morrem por engano, como se fosse possível matar alguém “por engano” sem que isso revelasse uma gravidade extrema. Polícia mata por confundir guarda-chuva com fuzil. Mata-se jogando gás no fundo de uma viatura fechada. Policial se aborrece e joga um homem de uma ponte como se essa fosse a ação mais natural do mundo. Mata-se tocando fogo num índio vivo. Pais matam filhos pequenos para atingirem as ex-companheiras. Patroa é acusada de matar empregada para não pagar o que devia. Outra deixa o filho de cinco anos da empregada sozinho num elevador.
Outro ponto que ajuda a normalizar a cultura da matança vem da própria legislação. O Código Penal, em seu artigo 121, define o título como homicídio simples. Não existe homicídio simples. E o Congresso tem de aumentar a pena mínima para, ao menos, 20 anos de prisão efetiva, sem direito à progressão nesse período. Nenhuma medida isolada resolve, mas todas as instituições precisam agir no combate efetivo à violência. Só com discurso, com o apertar de botões disso e daquilo e com assassinos respondendo a processo em liberdade, chegou-se ao genocídio brasileiro, talvez irreversível. Mas, pelo menos, a matança por diversionismo talvez diminua.
Pedro Cardoso da Costa
Interlagos – SP