terça-feira, 26 de maio de 2026
CAFÉ COM LABATT
A MANOBRA IMOBILIÁRIA VEIO. Mas e o AEROPORTO?
Ricardo Labatt
Na década de 70 nascia a Barra para a especulação imobiliária.
O bairro ganhou impulso na década de 80 e, já na de 90, se apresentava em pleno desenvolvimento quando incorporaram a área do entorno do Aeroporto de Jacarepaguá e de boa parte da Ayrton Senna a denominação, embora o aeroporto, antiga base aeropostal da Air France, não tenha mudado de nome e nem desaparecido, como foi vontade de um grupo de moradores do Mandala, incomodados com o “cone” de decolagem e aterrisagem.
Neste particular, modestamente, ainda na década de 90, colaborei com a manutenção do aeroporto, ao publicar, de forma inédita, no veículo à época de minha propriedade, o “Nosso Jornal da Barra”, a história da Base e a importância histórica da pista e do próprio aeroporto que passou a ser administrado pela Infraero em 1972 após a inauguração do terminal no ano anterior. Em tempo, vale ressaltar que além de diversas intervenções, o mesmo veículo, na mesma época, já a implementação do Metro, da criação da Central de Tratamento de Resíduos - ETE - e do Emissário submarino. Campanhas encampadas, e seguida, pela Revista Cidade da Barra, do desde sempre amigo Afonso Campuzano, que tenho certeza que, finalmente trocará a minha foto na área dos colunistas.
Destacamos também a imagem ilustrativa que mostra Saint-Exupéry, em 16 de abril de 1930, também autor de “O Pequeno Príncipe”, na pista deste aeroporto, que permanece como uma ilha de Jacarepaguá inserida e cercada, pela Barra, por todos os lados.
Os menos estudiosos alegam que o aeroporto tenha menos de 50 anos. Há até matérias sobre isso. Porém, esse marco dos anos 20, é centenário e, historicamente conhecido como uma Base da Air France, antes conhecido como “Campo Latécoère" da pioneira francesa “Compagnie Générale Aéropostale” - embrião da atual Air France - de onde, inclusive, Jean Mermoz, em 16 de abril de 1928, decolou para realizar, com sucesso, o primeiro voo noturno da América do Sul na rota que ligava o Rio de Janeiro a Buenos Aires.
Essa travessia pioneira abriu o caminho para a consolidação da aviação comercial no continente consolidando o correio aéreo, que precisava voar à noite para otimizar os horários das correspondências.
Agora, na tentativa de aumentar a importância do bairro e possibilitar um belo aumento de IPTU, surge uma nova diferenciação sobre zoneamento. Aproveitando-se da vaidade do ser humano, a Prefeitura começa a difundir a ideia, rapidamente encampada pelos residentes, de Zona Sudoeste.
A modificação aparentemente inocente, faz alusão a Zona Sul e separa o bairro nobre do incômodo de estar no mesmo balaio que Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Realengo, Padre Miguel, Paciência, Santíssimo, Senador Camará, Senador Vasconcelos, Sepetiba, Cosmos, Inhoaíba, Magalhães Bastos, Deodoro e das Baixada de Guaratiba: Guaratiba, Barra de Guaratiba, Pedra de Guaratiba e Ilha de Guaratiba.
A nova Zona, criada em setembro de 2025 engloba a Barra, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá e Taquara. Além de áreas como o Anil, a Barra Olímpica, o Camorim, a Cidade de Deus, Curicica, Freguesia, Gardênia Azul, Grumari, Itanhangá, Joá, Pechincha, Praça Seca, Rio das Pedras, Tanque, Vargem Grande, Vargem Pequena e Vila Valqueire.
O que não se compreende é a falta de visão e de investimentos na ampliação da pista, hoje com apenas 900m de cumprimento e 30 de largura, restringindo as condições de pouso e decolagem apenas a turboélice de menor porte, como o Cessna Grand Caravan da Azul Conecta.
Caso ampliada em 20m na largura e 450m no comprimento, passaria a ter 1.350m, sendo maior até que as do Aeroporto Santos Dumont, que apresenta apenas 1.323m, na principal e 1.260m na secundária.
Isso permitiria pousos e decolagens da Ponte Aérea Rio/São Paulo além de outras aeronaves utilizadas em voos domésticos como:
- Família Airbus A320, nos modelos A319 e A320, além do A320neo - que utilizam o pacote especial de certificação SHARP da Airbus para pistas curtas;
- Boeing 737 - especificamente o modelo 737-800 com procedimentos de peso restritos;
- ATR 42-600S, versão “stol” do ATR 72 e os Jatos Embraer 190 e 195.
Hoje, de acordo com as condições diminutas da pista, apenas o Cessna Citation Sovereign (Modelo 680) e Jatos executivos de pequeno a médio porte como os das linhas Cessna Citation, Embraer Phenom e Gulfstream, além de táxi aéreos e operações com helicópteros, são homologados para este terminal, já que os turboélices ATR 42-600S, que seria capaz, caso não fosse descontinuado, de operar em pequenos aeroportos, como o de Jacarepaguá, com pista de apenas 900 metros de extensão.
Diante das dificuldades de saída e entrada do bairro, imaginem o impulso real na economia e a comodidade e conforto que seria oferecida aos moradores, caso esta mínima ampliação fosse implementada.
Hotéis, bares, restaurantes, comércio em geral e mesmo imóveis receberiam mais público e atenção, além do benefício aos moradores da Zona Sudoeste, que pela importância, merece um aeroporto à altura.
Saiba diariamente o que acontece, pelo Brasil e pelo Mundo, em análises sintetizadas dos 50 melhores analistas do planeta. A verdade, sem torcida, sem verniz ideológico. A verdade que você não vê na mídia tradicional.
Basta clicar no link https://www.youtube.com/@RicardoLabatt
ESPORTE
Circuito da Longevidade Bradesco Seguro transforma Copacabana em palco de saúde, bem-estar e qualidade de vida
Copacabana - Av. Atlântica, Posto 02
5 km e 10 km
Horário da largada única: 7h
Valor do kit: consulte as opções disponíveis no site
Retirada do Kit: Dia 29 de maio das 10h às 20h, e no sábado, dia 30, das 10h às 18h, na Decathlon (Av. Ataulfo de Paiva, 391 - Loja A - Leblon, Rio de Janeiro - RJ)
CULTURA
Feira Preta Festival retorna ao Rio após 10 anos e ocupa a Pequena África com shows, empreendedorismo e inovação negra
O festival acontece nos dias 29, 30 e 31 de maio com programação no Píer Mauá, Armazém Kobra e circuito histórico da Pequena África, conectando shows, talks, empreendedorismo, memória, cultura e inovação negra. Entrada gratuita
O maior festival de cultura e economia preta da América Latina retorna ao Rio de Janeiro após dez anos com uma edição que conecta memória, território, diáspora, empreendedorismo e futuro. Com o mote “Negra é a raiz da revolução”, o Feira Preta Festival acontece nos dias 29, 30 e 31 de maio, celebrando a Pequena África com uma programação que ocupa o Píer Mauá, o Armazém Kobra e diferentes pontos da região portuária carioca. Entre as atrações confirmadas, a edição traz Leci Brandão, Tati Quebra Barraco e Teresa Cristina. Na programação de negócios, que é assinada pelo SEBRAE, nomes como a influenciadora Nath Finanças, o antropólogo Michel Alcoforado, Cordell Carter e a escritora e curadora Sharna Jackson estarão presentes. O evento reúne shows, talks, cinema, feira de empreendedores, gastronomia, moda, experiências culturais e encontros de inovação negra. O festival é apresentado pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas, Nubank e BNDES, com patrocínio de Mercado Livre, Cerveja Original, Assaí Atacadista, Sebrae RJ2, L'Oréal, Nivea e Renner.
Após uma década longe da capital fluminense, o retorno ao Rio marca um movimento simbólico do festival, que escolhe a cidade como palco para aprofundar sua conexão com a história e a ancestralidade negra. “Retornar ao Rio depois de 10 anos é reconhecer a força desse território na formação da cultura negra brasileira. A Pequena África é um símbolo vivo de memória e resistência, mas também de futuro. É aqui que queremos afirmar a potência da economia preta como caminho de desenvolvimento”, afirma Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta.
O reencontro com o Rio também reforça a dimensão diaspórica que atravessa a trajetória da Feira Preta desde sua criação. Ao ocupar um território historicamente marcado pela chegada, circulação e resistência de populações negras vindas de diferentes partes da África e do Atlântico Negro, o Festival amplia o diálogo entre memória, cultura e inovação. A escolha da Pequena África conecta o evento a uma geografia simbólica da diáspora, onde passado e futuro se encontram para reafirmar identidades, fortalecer redes e projetar novas possibilidades de desenvolvimento econômico, cultural e social a partir da experiência negra.
A edição carioca acontece em parceria com a iniciativa Viva Pequena África, estruturada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para apoio a projetos culturais de preservação e valorização da memória e herança africana no território portuário do Rio de Janeiro. “Desde 2023, o BNDES e seus parceiros têm trabalhado intensamente na Pequena África, usando uma governança inédita, focada em escuta social e decisões compartilhadas com o território. O Festival será uma oportunidade incrível para apresentarmos ao grande público esse trabalho, promovendo a cultura e os saberes da Pequena África”, afirma Marina Moreira da Gama, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES.
Música, talks e empreendedorismo ocupam a Pequena África
A programação musical do Feira Preta Festival reúne diferentes gerações e linguagens da música negra brasileira e afro-diaspórica em shows, rodas de samba, DJs e cortejos espalhados pela região portuária do Rio.
Entre os destaques estão os shows de Leci Brandão com Marina Íris, Teresa Cristina com Áurea Martins e Rita Benedito, além de encontros como Tati Quebra Barraco e Titica, cantora angolana referência do kuduro africano. O line-up também inclui SandraSá, Baile Black Bom, Awurê, Jazz Proibidão, Walmir Borges, Samba da Cabaça e DJ Nyack, Nanda Tsunami e Barona, atravessando samba, soul, funk, jazz, black music e sonoridades afro-atlânticas.
A programação incorpora ainda cortejos e experiências ligadas à memória da Pequena África, com os Filhos de Gandhi, o Cortejo Prata Preta e atividades que conectam música, território e ancestralidade.
Além da programação musical, o evento também traz uma programação de negócios apresentada pelo SEBRAE, que reúne talks, painéis, mentorias e workshops voltados à inovação, empreendedorismo e desenvolvimento da economia preta.
A programação conta com nomes como Paulo Vieira, Nath Finanças, Jurema Werneck, Konrad Dantas (Kondzilla), Michel Alcoforado, Ana Paula Xongani, Jurema Werneck, Roger Cipó, Luanda Vieira, Sil Bahia e Paulo Rogério para discutir temas como acesso a crédito, influência, inteligência artificial, empreendedorismo, cultura digital, consumo, tecnologia e circulação de riqueza dentro da economia preta. Entre os mestres de cerimônia confirmados estão Júlio de Sá, Renata Novaes, Jonathan Raymundo, Dandara Suburbana, Jonathan Azevedo, além de Roger Cipó, Ana Paula Xongani e Carol Dall Farra. Os encontros também reforçam o caráter internacional e afrodiaspórico do festival, com debates sobre fluxos culturais entre Brasil, África e outros territórios negros globais, além de conversas sobre turismo, mobilidade, moda, mercado e desenvolvimento econômico.
O festival ainda contará com mentorias voltantes com especialistas em negócios, voltadas ao fortalecimento de empreendimentos negros e a apresentação da pesquisa “População Negra na América Latina”, realizada pelo Banco CAF.

