sábado, 28 de março de 2026

DIREITO & TRIBUTAÇÃO

 A alta performance e a saúde mental na advocacia




Claudio Carneiro



Nas últimas décadas, a advocacia deixou de ser uma profissão organizada em torno do calendário forense e dos prazos físicos para se tornar uma atividade regida por notificações digitais e métricas de engajamento. A transição dos autos de papel para processos eletrônicos encurtou a distância entre demanda e resposta: se antes a rotina era calibrada pelo tempo dos Correios e das publicações em Diário Oficial, hoje a expectativa implícita é de que o advogado esteja sempre disponível no e-mail, no WhatsApp, na plataforma de processo eletrônico e nas videoconferências. Nesse novo cenário, a “demora” de algumas horas já é lida como desatenção, e a ausência de retorno em 24 horas pode ser interpretada como falta de compromisso.


Identificar com precisão esses vetores de pressão é o primeiro passo para discutir saúde mental e alta performance na advocacia. O primeiro vetor é tecnológico: a digitalização completa do processo judicial e da comunicação com clientes, colegas e juízos. O que antes tinha uma cadência quase analógica — com tempo para refletir, rascunhar, revisar — hoje se converteu em fluxo contínuo de mensagens, prazos automatizados, audiências em sequência e reuniões por vídeo intercaladas ao longo do dia. A agenda deixa de ser linear e passa a ser fragmentada, com múltiplas demandas simultâneas competindo pela mesma atenção.


O segundo vetor é o das redes sociais. A advocacia ganhou uma nova arena: o feed. Em paralelo à atuação técnica, muitos profissionais se sentem compelidos a manter presença digital constante, produzir conteúdo, gravar vídeos, comentar decisões, responder mensagens diretas e interagir com comentários. Não se trata apenas de “opção de marketing”, mas de uma percepção difusa de que a ausência digital comunica irrelevância, enquanto a presença ativa é confundida com competência e sucesso. O resultado é que a jornada de trabalho se estende para além dos limites tradicionais, ocupando noites, fins de semana e qualquer intervalo “livre” que possa virar post ou story.


Essa lógica transforma a advocacia em profissão 24 horas. O escritório não fecha quando a porta se tranca; ele se transfere para o bolso, em forma de notificações e cobranças silenciosas. O advogado que sai fisicamente do trabalho muitas vezes não consegue sair mentalmente do papel profissional. A linha entre tempo de descanso e tempo de disponibilidade se torna difusa. Surge, então, um fenômeno que a literatura trabalhista já começa a tratar como direito à desconexão: a necessidade de reconhecer juridicamente o limite saudável entre o indivíduo e o seu trabalho, inclusive no ambiente digital.

O terceiro vetor é emocional e aparece de forma cada vez mais evidente: a ansiedade crônica e o burnout. Pesquisas recentes e campanhas institucionais têm mostrado crescimento preocupante dos afastamentos por esgotamento profissional, com o Brasil figurando entre os países com maiores índices de burnout. Na advocacia, isso se traduz em relatos de sensação permanente de atraso: nunca estudar o suficiente, nunca estar atualizado o bastante, nunca ter publicado conteúdo suficiente, nunca ter construído uma rede de contatos tão ampla quanto a do colega que aparece todos os dias nas redes.


As redes sociais não apenas ampliam a visibilidade, como também intensificam a comparação. O advogado deixa de olhar apenas para o processo que tem em mãos e passa a medir seu valor pelo número de curtidas, visualizações e novos seguidores. A cada vitória alheia exibida em posts comemorativos, muitos experimentam um misto de admiração e inadequação. Em vez de celebrar o próprio caminho, passam a viver sob a régua do desempenho dos outros. Esse ciclo de comparação constante corrói autoestima, promove autoexigência desproporcional e aumenta o risco de adoecimento psíquico.


Do ponto de vista jurídico, esse cenário traz desafios importantes. Escritórios e departamentos jurídicos não podem mais ignorar que o ambiente de trabalho inclui o digital. Cobranças por respostas instantâneas, grupos de mensagens que funcionam madrugada adentro e metas incompatíveis com qualquer ritmo humano sustentável podem caracterizar abuso, violar o dever de zelar pela saúde dos seus profissionais e, em casos extremos, gerar responsabilização. A saúde mental deixa de ser um tema “pessoal” e passa a ser também um dever institucional e um componente da qualidade da prestação de serviços jurídicos.


Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que a tecnologia não é inimiga da saúde mental por definição. Usada de forma estratégica, ela pode reduzir tarefas repetitivas, automatizar rotinas, organizar fluxos e devolver ao advogado o tempo de que ele precisa para pensar, ouvir o cliente e exercer a atividade em seu núcleo mais nobre. A chave está em diferenciar o uso que liberta do uso que aprisiona, o digital que amplia a qualidade da atuação daquele que apenas intensifica o volume de trabalho.


Se alta performance significa produzir mais às custas de sono, relações pessoais e saúde psíquica, o preço cobrado é alto demais — para o indivíduo, para os clientes e para o próprio sistema de Justiça. Uma advocacia verdadeiramente de alta performance precisa ser, antes de tudo, uma advocacia sustentável. Isso implica estabelecer limites claros de disponibilidade, revisar culturas internas de cobrança, educar clientes sobre prazos razoáveis de resposta e, sobretudo, legitimar o cuidado com a mente como parte da ética profissional.


No fim, talvez o maior desafio da advocacia contemporânea seja este: reaprender a dizer não. Não à notificação que invade a madrugada, não à comparação paralisante com o colega do feed, não à crença de que só é competente quem está sempre online. Ao escolher conscientemente seus vetores de pressão, o advogado recupera algo que nenhuma tecnologia deveria tomar: o direito de exercer sua profissão com excelência, sem abrir mão de sua própria saúde mental.


Por Claudio Carneiro

(Advogado e PhD em Direito)

@claudiocarneirooficial


EDUCAÇÃO

 Os Batutinhas

Escola Os Batutinhas lança programa especial dedicado à primeira infância: o Ateliê Baby

Iniciativa oferece atividades lúdicas e educativas semanais voltadas ao desenvolvimento de bebês de até um ano e abertas também a não matriculados na instituição de ensino infantil

Rio de Janeiro, março de 2026 - A escola Os Batutinhas lança um programa especial de desenvolvimento para bebês de até um ano no próximo dia 1º de abril, o Ateliê Baby. A iniciativa contempla encontros semanais com atividades lúdicas e educativas voltadas para o estímulo a curiosidade e construção de habilidades das crianças. O programa é aberto a não alunos da  escola, primeira em educação infantil bilíngue na zona sul do Rio de Janeiro e integrante da Inspired Education, um dos maiores grupos de escolas premium do mundo. As vagas são limitadas.

“Nos primeiros anos de vida, o cérebro pode formar até 1 milhão de conexões por segundo, e é por meio das experiências do dia a dia que essas conexões se fortalecem. Por isso, atividades como música, explorações práticas como contato com diferentes texturas, sons, cores e materiais ajudam o bebê a explorar o mundo, desenvolver a curiosidade e construir, desde cedo, habilidades importantes para o seu crescimento”, destaca Karla Bohac, diretora da Escola Os Batutinhas.

O Ateliê Baby foi elaborado para estimular o desenvolvimento cognitivo, motor e socioemocional da criança, ao mesmo tempo em que permite aos pais acompanhar de perto cada atividade e interagir com outras famílias. A programação inclui dinâmicas de musicalização, oficinas de ciências e experiências sensoriais que estimulam a exploração ativa e o contato com diferentes materiais, promovendo descobertas por meio do toque, da observação e da experimentação, de forma segura e orientada por professores e nutricionistas.

 

Aberto também a crianças matriculadas em outras instituições, o Ateliê Baby permite que elas complementem suas atividades e que pais e responsáveis conheçam a proposta pedagógica dos Batutinhas. Os encontros acontecem às segundas, quartas e quintas-feiras, no período da manhã, entre 8h e 9h, e a participação requer a presença de um responsável. 

 

As inscrições custam a partir de R$ 274,00 mensais e já estão abertas no  link: https://www.sympla.com.br/evento/atelie-baby-os-batutinhas/3344622  

Ateliê Baby - Os Batutinhas

Segundas, quartas e quintas-feiras, a partir de 1º de abril - 8h às 9h

A partir de R$ 274,00 - Rua Redentor, 265 – Ipanema

Inscrições: https://www.sympla.com.br/evento/atelie-baby-os-batutinhas/3344622
Aberto ao público | Vagas limitadas. 

GERAL

 Páscoa: como o mix de produtos pode impulsionar as vendas dos pequenos negócios?

Com vendas 30% maiores no e-commerce na Páscoa, CEO no setor varejista aponta três pilares fundamentais para potencializar os resultados na data comemorativa

Com a chegada da Páscoa, o varejo brasileiro se prepara para um dos períodos mais aquecidos do calendário econômico. A Páscoa firmou-se como um motor de crescimento para pequenos e médios empreendedores. Segundo dados divulgados no ano passado, pela Nuvem Shop, o faturamento das PMEs no e-commerce, no período da páscoa, subiu 30%, atingindo R$ 3,9 milhões, com um volume de vendas 28% superior a 2024. No entanto, o comportamento do consumidor em 2026 vive uma constante mudança sobre prioridades. Embora o ambiente digital avance, a loja física mantém um trunfo: a solução imediata.

Nesse cenário, a busca por praticidade encurta a distância entre o desejo de consumo e o cliente final. Guilherme Mauri, CEO da Minha Quitandinha, startup de tecnologia em varejo que atua no modelo de franquia de minimercado autônomo, afirma que o sucesso do varejo não depende do volume de itens ou de preços competitivos e sim de assertividade. Segundo Mauri, três pilares são fundamentais para potencializar os resultados na data comemorativa:

Curadoria 

A estratégia central não reside na quantidade, mas na seleção. Em vez de corredores intermináveis, a aposta ideal é uma curadoria que atenda às necessidades imediatas. “O mix de produtos certo reduz a dependência de poucos itens, protegendo o negócio contra oscilações de demanda e garantindo um fluxo de caixa estável. O segredo é conhecer profundamente o público para antecipar a oferta”, pontua.

Visual Merchandising 

A disposição estratégica de produtos, aliada a ambientação temática que estimule a compra por impulso, melhora a experiência no ponto de venda.  A combinação da curadoria eficiente e experiência é o que de fato facilita a jornada de compra e potencializa os resultados. Segundo o CEO, itens de alto giro devem ocupar a "zona de ouro", altura dos olhos e áreas de checkout, para serem vistos em menos de 3 segundos pelo cliente ao entrar na loja. “Na Páscoa, elevamos o ticket médio por meio de estratégias de cross-selling, reunindo em um mesmo campo de visão desde kits presenteáveis até os ingredientes para o almoço de domingo. Além disso, garantimos o abastecimento contínuo da loja para evitar rupturas no processo de vendas. Também investimos em kits prontos para presente e ofertas combinadas, incentivando o consumidor a adquirir mais de um item”, explica.

Precificação

Para se destacar da concorrência do varejo de massa, a chave é entender a percepção de custo-benefício sob a ótica do consumidor, conhecido como valor percebido, avaliação do cliente sobre os benefícios de um produto em relação ao custo, somando preço, tempo, esforço para obtê-lo. “O valor de um produto envolve também a facilidade de acesso. O consumidor que busca um item de última hora, por exemplo, prioriza o conforto. Assim, o valor final não reflete apenas o produto, mas a disponibilidade imediata e a solução de um problema, transformando a conveniência em uma vantagem competitiva real frente aos grandes varejistas”, conclui o CEO.

 

Professor em Inteligência Artificial da UniCesumar alerta que evolução das tecnologias de manipulação, aliado a verificação de fatos e a educação midiática se tornam ferramentas essenciais para a defesa do processo democrático

 

Em um cenário onde a inteligência artificial (IA) avança a passos largos, a integridade da informação durante os ciclos eleitorais enfrenta uma ameaça. A sofisticação de deepfakes e campanhas de desinformação exige que a curadoria humana se posicione como a última e mais crucial barreira de defesa da democracia. O debate foca na necessidade de um contraponto ético rigoroso e na auditoria constante de algoritmos para combater o viés que pode distorcer a percepção pública.

A tecnologia de deepfake, que utiliza IA para criar ou alterar conteúdos de forma hiper-realista, já atingiu um nível de sofisticação preocupante. "Embora alguns conteúdos pareçam verossímeis à primeira vista, ainda é possível identificar falhas. Mesmo assim, o impacto potencial nas próximas eleições é grande, sobretudo em um país que vive forte polarização política. Conteúdos manipulados podem circular rapidamente e influenciar percepções antes de qualquer checagem”, afirma Raul El Greco, professor do curso Inteligência Artificial e Machine Learning da UniCesumar.

O uso estratégico da inteligência artificial em campanhas vai além da manipulação de imagens. A geração automática de textos, a criação de perfis falsos (bots) para simular apoio popular e o microdirecionamento de mensagens para segmentos específicos do eleitorado são táticas que tornam a desinformação mais escalável e persuasiva. "A desinformação deixa de ser algo improvisado e passa a ser mais estratégica, exigindo maior atenção das plataformas, das instituições e dos próprios cidadãos", complementa El Greco.

Segundo o relatório ‘Identity Fraud Report 2025-2026’, realizado pela Sumsubs, os ataques com essa tecnologia cresceram 126% no Brasil em 2025. Para agravar o quadro, durante o segundo turno das eleições de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a receber mais de 500 alertas diários de fake news, e o volume total de denúncias cresceu 1.671% em comparação com 2020. A percepção do risco é alta: para 81% da população, a desinformação pode afetar significativamente o resultado de uma eleição, de acordo com pesquisa do Instituto DataSenado, realizada em 2024.

A resposta: curadoria, ética e educação

O trabalho de checadores de fatos e curadores de conteúdo é essencial, mas enfrenta o desafio da velocidade e do volume com que o conteúdo falso é gerado. "Não é exatamente uma batalha justa. A produção de conteúdo falso pode acontecer em grande escala, enquanto a verificação exige tempo e análise", explica o professor da UniCesumar.

Para o especialista, o principal guardião do contraponto ético deve ser o próprio eleitor. "As campanhas visam vencer a disputa, e as plataformas lidam com um volume de conteúdo impossível de moderar perfeitamente. O elemento mais decisivo acaba sendo o eleitor consciente, capaz de questionar, verificar e refletir. Pensando no longo prazo, um caminho promissor seria investir em educação midiática e computacional nas escolas, de forma técnica e sem viés ideológico”.

Além da educação, a legislação precisa ser aplicada com mais rigor. "As leis para lidar com calúnia, difamação e injúria já existem. Talvez o caminho mais efetivo seja aumentar a celeridade jurídica e aplicar punições severas a quem financia e difunde campanhas organizadas de desinformação. Em eleições, não há ‘lado bom’ na produção deliberada de notícias falsas: ambos os lados degradam o processo democrático”.

Diante da proximidade das eleições, o professor El Greco sugere uma ação imediata: "É crucial divulgar amplamente que as pessoas podem e devem apontar conteúdos suspeitos diretamente nas plataformas ou em canais de denúncia, priorizando a verdade acima das preferências políticas”.