terça-feira, 20 de outubro de 2026

SAÚDE

 Quando a dor no joelho deixa de ser "coisa da idade" e vira indicação cirúrgica

                                                                                                                               Magnific

O diagnóstico precoce pode ampliar as opções de tratamento 

Dificuldade para levantar da cadeira, falta de disposição para atividades físicas simples e dores articulares - seja ao subir escadas ou em repouso: para grande parte da população acima dos 60 anos, esses sintomas são tratados como parte natural do envelhecimento. Mas, quando persistentes, podem ser sinais de artrose no joelho, uma das doenças articulares mais comuns no Brasil. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, o problema atinge cerca de 15 milhões de pessoas. Para muitos deles, analgésicos e fisioterapia já não são suficientes para aliviar os sintomas.

Embora muito relacionada ao avanço da idade, a doença não acomete só idosos. Um número cada vez maior de pessoas entre 30 e 50 anos têm sofrido dores provocadas pelo desgaste das articulações dos joelhos. Fatores como obesidade, sequelas de lesões esportivas maltratadas e histórico familiar podem antecipar o quadro para pessoas ainda em idade produtiva.

Para Frederico Scherner, médico ortopedista, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e especialista em cirurgia no joelho, o principal erro dos pacientes é adiar a procura por um especialista. 

"Muita gente convive anos com dor e limitação achando que é normal da idade, e vai deixando o problema para depois. Quanto antes for identificado o grau da artrose, mais opções de tratamento o paciente tem disponíveis", afirma.

Tratamento para artrose no joelho

O tratamento da artrose de joelho segue uma progressão: começa por medidas como fisioterapia, controle de peso e, em alguns casos, infiltrações intra-articulares com ácido hialurônico. Mas quando a dor persiste e passa a comprometer a rotina, mesmo com esses cuidados, a cirurgia de prótese de joelho passa a ser avaliada.

“Uma das opções é a cirurgia robótica, que visa a uma maior precisão e recuperação mais rápida do paciente”, complementa o ortopedista. 

Como funciona a cirurgia robótica

A cirurgia guiada por robô usa câmeras e sensores para mapear a articulação do paciente em tempo real, funcionando como um "GPS" durante o procedimento e permitindo ajustes de posicionamento da prótese com precisão milimétrica, por vezes difícil de se alcançar apenas com técnica manual.

O uso do robô ajuda a reduzir o caráter invasivo da cirurgia e o tempo de recuperação, fator importante para pacientes mais idosos, para quem a reabilitação costuma ser mais delicada. Lembrando que o robô não substitui o cirurgião; ele é um auxiliar de alta precisão.

"O objetivo nunca é operar por operar. É devolver ao paciente a capacidade de fazer as coisas simples do dia a dia — caminhar, brincar com o neto, subir uma escada — e ter uma boa noite de descanso, tudo isso sem dor", finaliza o especialista.