Ricardo Labatt
Começamos esse bate papo de hoje com duas prováveis evoluções baseadas na análise dos vetores e dos envolvidos e com 3 afirmações, já confirmadas. Tudo numa análise honesta e SEM TORCIDA e sem tapa olho ideológico.
1 - Pete Hegseth não deve ver 2027, ainda no cargo. Minha aposta é que o Secretário de Defesa dos Estados Unidos (também chamado por vezes de secretário da Guerra no governo de Donald Trump, a seu próprio pedido (cai ainda este ano). Ele assumiu a função em 25 de janeiro de 2025 e não acredito que complete 2 anos diante de tanta incompetência, escolhas erradas e fracassos acumulados.
2 – Israel, ainda esta semana, atacou a Síria e, num breve futuro já escolheu outra frente. Atacará a Turquia, que ao invés de invocar o artigo 5º da OTAN, irá tentar fazer uso do acordo com o Paquistão e com a Arábia Saudita recém assinado. Os sauditas provavelmente não irão tomar partido, mas o Paquistão marchará junto com a Turquia sobre Israel.
CONSTATAÇÕES VERDADEIRAS E CHECADAS:
1- Os Emirados enviaram US$ 3 bilhões e 2 toneladas de ouro para Teerã, mudando de postura e tentando amenizar a ira que ajudaram a provocar ao emprestarem seu território para bases americanas que atacaram o Irã;
2 - O Paquistão disse que Arábia Saudita não vai arrasta-los para a guerra contra o Iêmen e, a Turquia declarou o mesmo. Ambos relataram que o Iêmen está apenas se defendendo dos ataques dos sauditas que romperam o acordo, além de aconselha-los a recuar diante do Iêmen, que inclusive humilharam as forças da Coalisão dos EUA, tanto no Governo Biden como na gestão Trump, bloqueando o Estreito de Bad al-Mandeb e atacando qualquer alvo saudita, onde quer que estivessem, reduzindo as exportações do Reino para 45% de sua capacidade anterior.
3 - O Irã se diz pronto para atacar a concentração de estadunidenses, que se aglomeram em Israel. Já que os EUA já foram expulsos do Catar, dos Emirados, do Kuwait, do Bahrein, da Jordânia, da Arábia Saudita, de Omã e do Iraque). Também já anunciaram que irão destruir os cabos submarinos da região do Golfo.
E... por falar em Irã e em Trump não podemos deixar de destacar a “sacada” do ano, diretamente do fabricante preferido de Trump, a ACME, marca de produtos utilizados pelo Coiote para tentar fazer mal ao Papa Léguas, no desenho animado.
Trump, sem diálogo com Teerã após inúmeras traições, imaginando que o Irã fosse como a Venezuela, teve a “brilhante” ideia de procurar Asif Raza Merchant, um diplomata paquistanês recrutado por um membro da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) para uma missão em solo americano, que ao contrário de uma mediação diplomática buscando a paz, foi condenado pela Justiça dos Estados Unidos sob a suposta acusação de planejar assassinatos de autoridades.
Agora, no desespero, por ordem do próprio Trump, Merchant foi instruído a ligar para Ahmad Vahidi oferecendo, em nome dos EUA, bilhões e bilhões de dólares (impressos em sua máquina de criar papel pintado sem lastro, que não gera inflação interna) a Ahmad Vahidi, comandante-chefe da IRGC e peça chave na organização, tentando gerar um ruptura na liderança, embrulhada na pseudo-imagem de serem amigos para sempre. É o marcado na imagem com uma seta vermelha.
Vahidi, hoje procurado pela Interpol. Também é um dos homens que defini os passos dados pelo Irã e, através de uma linha secreta, ouviu pacientemente toda a mensagem e a proposta do Governo dos EUA e, de forma pausada e firme disse a Merchant: - “NUNCA MAIS ME LIGUE PARA TRATAR ESSE TIPO DE ASSUNTO. VOCÊ ESTÁ ME PEDINDO PARA COMETER TRAIÇÃO E EU NÃO VOU TOLERAR ISSO”. E, prontamente foi relatar o fato a seu líder, o Aiatolá Mojtaba Khamenei, que em seguida, relatou o fato ao primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif que, compartilhou as informações com o chefe do Exército, Marechal de Campo Asim Munir, e com o Vice-primeiro-ministro e Chanceler Ishaq Dar.Shehbaz Sharif, que conduziu articulações diretas com líderes regionais e com o governo dos Estados Unidos para sediar negociações anteriores em Islamabad, no próprio Paquistão.
DE OLHO NAS MIDTERMS E NAS CONSEQUÊNCIAS
Trump, sem ter o que apresentar de produtivo nas áreas internas e externas, há dois meses das eleições que vão selar seu destino de provável “pato manco”, trai a Coréia do Sul, que ainda está tecnicamente em guerra com o outro ocupante da península coreana. Cancela as manobras conjuntas em andamento.
O presidente da Coreia do Sul, acuado, propôs um acordo de paz e se comprometeu a não mais lançar balões com panfletos de propaganda anticomunista em direção a vizinha do norte. Pediu que voltassem a mesa de negociação... não mais toca no tema de direitos humanos... promete não se intrometer nos assuntos internos e nem exige mais mudança de governo no país vizinho. Aceita formalmente a existência das duas coreias e prega uma reunificação futura.
Trump justificou o cancelamento dos exercícios conjuntos dos EUA, com a Coreia do Sul, declarando que eram caros demais e que a Coreia deveria se tornar menos dependente de Washington.
Este bate papo de hoje serve para que entendam o que a falta de armamentos e munição da OTAN - e principalmente dos EUA - aliada a seus fracassos recentes, fazem com que as relações, antes conturbadas, desde quando o próprio EUA criou uma linha imaginária, baseada num paralelo do Globo, para separar uma Nação e criar a mais conflituosa fronteira do planeta, pode causar.
Também para demonstrar o nível de desespero do Governo norte-americano por estar de mãos atadas. Por não ter medido as consequências desse conflito... Por não ter feito o inventário de armas próprias e do Irã, antes de ingressar neste conflito... Por não ter saída.
Por outro lado fica a pergunta e a certeza de como se sentem China e Rússia diante dessa demonstração de incompetência e fragilidade dos EUA, que numa tentativa de se impor numa guerra do século XX mostram-se claramente despreparados para uma do século XXI contra qualquer uma dessas potências, que aliás, se daria contra ambas unidas.
