Do campo à mesa: produção de pequenos agricultores diminui o desperdício de alimentos e aumenta a renda
Aproximação entre produtor e consumidor retém até 90% do valor da venda para o agricultor; coordenadora de Agronomia da UNIASSELVI
explica o papel do processamento mínimo e do consumidor consciente para reverter perdas bilionárias
O Brasil desperdiça atualmente cerca de 30% de toda a comida que produz, um volume que varia de 46 a 55 milhões de toneladas e gera perdas anuais estimadas em R$ 61,3 bilhões. Esse cenário é diretamente agravado por um histórico déficit logístico e de armazenagem. Como solução imediata para estancar essas perdas e fortalecer a economia regional, especialistas apontam para a adoção das chamadas cadeias curtas de comercialização. O modelo, caracterizado pela venda direta ou com a presença de apenas um intermediário, tem o potencial de transformar a dinâmica do agronegócio familiar no país.
Segundo Maquiel Vidal Nardon, coordenadora do curso de Agronomia da UNIASSELVI, a redução de etapas entre o campo e a cidade é uma necessidade urgente. "Ao encurtar a distância entre a colheita e a mesa, combatemos o desperdício na sua raiz e garantimos que o alimento chegue mais fresco e com preço justo para todos. É uma via de mão dupla onde o produtor ganha sustentabilidade financeira e a sociedade ganha segurança alimentar", destaca.
O impacto financeiro desse modelo para o pequeno produtor é transformador. Hoje, a agricultura familiar representa 77% das propriedades rurais brasileiras, mas retém apenas 23% do valor bruto da produção no formato longo e tradicional, no qual os atravessadores dominam as margens, deixando apenas de 20% a 30% do valor final nas mãos de quem efetivamente planta.
Nas cadeias curtas, essa lógica se inverte: o produtor chega a reter de 80% a 90% do valor. Políticas públicas também têm impulsionado essa virada, a exemplo da retomada de investimentos no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a meta de que o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) alcance 45% das compras vindas da agricultura familiar até 2026.