terça-feira, 26 de maio de 2026

CULTURA

Feira Preta Festival retorna ao Rio após 10 anos e ocupa a Pequena África com shows, empreendedorismo e inovação negra

O festival acontece nos dias 29, 30 e 31 de maio com programação no Píer Mauá, Armazém Kobra e circuito histórico da Pequena África, conectando shows, talks, empreendedorismo, memória, cultura e inovação negra. Entrada gratuita

O maior festival de cultura e economia preta da América Latina retorna ao Rio de Janeiro após dez anos com uma edição que conecta memória, território, diáspora, empreendedorismo e futuro. Com o mote “Negra é a raiz da revolução”, o Feira Preta Festival acontece nos dias 29, 30 e 31 de maio, celebrando a Pequena África com uma programação que ocupa o Píer Mauá, o Armazém Kobra e diferentes pontos da região portuária carioca. Entre as atrações confirmadas, a edição traz Leci Brandão, Tati Quebra Barraco e Teresa Cristina. Na programação de negócios, que é assinada pelo SEBRAE, nomes como a influenciadora Nath Finanças, o antropólogo Michel Alcoforado, Cordell Carter e a escritora e curadora Sharna Jackson estarão presentes. O evento reúne shows, talks, cinema, feira de empreendedores, gastronomia, moda, experiências culturais e encontros de inovação negra. O festival é apresentado pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas, Nubank e BNDES, com  patrocínio de Mercado Livre, Cerveja Original, Assaí Atacadista, Sebrae RJ2, L'Oréal, Nivea e Renner.

Após uma década longe da capital fluminense, o retorno ao Rio marca um movimento simbólico do festival, que escolhe a cidade como palco para aprofundar sua conexão com a história e a ancestralidade negra. “Retornar ao Rio depois de 10 anos é reconhecer a força desse território na formação da cultura negra brasileira. A Pequena África é um símbolo vivo de memória e resistência, mas também de futuro. É aqui que queremos afirmar a potência da economia preta como caminho de desenvolvimento”, afirma Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta.

O reencontro com o Rio também reforça a dimensão diaspórica que atravessa a trajetória da Feira Preta desde sua criação. Ao ocupar um território historicamente marcado pela chegada, circulação e resistência de populações negras vindas de diferentes partes da África e do Atlântico Negro, o Festival amplia o diálogo entre memória, cultura e inovação. A escolha da Pequena África conecta o evento a uma geografia simbólica da diáspora, onde passado e futuro se encontram para reafirmar identidades, fortalecer redes e projetar novas possibilidades de desenvolvimento econômico, cultural e social a partir da experiência negra.

A edição carioca acontece em parceria com a iniciativa Viva Pequena África, estruturada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para apoio a projetos culturais de preservação e valorização da memória e herança africana no território portuário do Rio de Janeiro. “Desde 2023, o BNDES e seus parceiros têm trabalhado intensamente na Pequena África, usando uma governança inédita, focada em escuta social e decisões compartilhadas com o território. O Festival será uma oportunidade incrível para apresentarmos ao grande público esse trabalho, promovendo a cultura e os saberes da Pequena África”, afirma Marina Moreira da Gama, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES.

Música, talks e empreendedorismo ocupam a Pequena África

A programação musical do Feira Preta Festival reúne diferentes gerações e linguagens da música negra brasileira e afro-diaspórica em shows, rodas de samba, DJs e cortejos espalhados pela região portuária do Rio.

Entre os destaques estão os shows de Leci Brandão com Marina Íris, Teresa Cristina com Áurea Martins e Rita Benedito, além de encontros como Tati Quebra Barraco e Titica, cantora angolana referência do kuduro africano. O line-up também inclui SandraSá, Baile Black Bom, Awurê, Jazz Proibidão, Walmir Borges, Samba da Cabaça e DJ Nyack, Nanda Tsunami e Barona, atravessando samba, soul, funk, jazz, black music e sonoridades afro-atlânticas.

A programação incorpora ainda cortejos e experiências ligadas à memória da Pequena África, com  os Filhos de Gandhi, o Cortejo Prata Preta e atividades que conectam música, território e ancestralidade.

Além da programação musical, o evento também traz uma programação de negócios apresentada pelo SEBRAE, que reúne talks, painéis, mentorias e workshops voltados à inovação, empreendedorismo e desenvolvimento da economia preta.

A programação conta com nomes como Paulo Vieira, Nath Finanças, Jurema Werneck, Konrad Dantas (Kondzilla), Michel Alcoforado,  Ana Paula Xongani, Jurema Werneck, Roger Cipó, Luanda Vieira, Sil Bahia e Paulo Rogério para discutir temas como acesso a crédito, influência, inteligência artificial, empreendedorismo, cultura digital, consumo, tecnologia e circulação de riqueza dentro da economia preta. Entre os mestres de cerimônia confirmados estão Júlio de Sá, Renata Novaes, Jonathan Raymundo, Dandara Suburbana, Jonathan Azevedo, além de Roger Cipó, Ana Paula Xongani e Carol Dall Farra. Os encontros também reforçam o caráter internacional e afrodiaspórico do festival, com debates sobre fluxos culturais entre Brasil, África e outros territórios negros globais, além de conversas sobre turismo, mobilidade, moda, mercado e desenvolvimento econômico.

O festival ainda contará com mentorias voltantes com especialistas em negócios, voltadas ao fortalecimento de empreendimentos negros e a apresentação da pesquisa “População Negra na América Latina”, realizada pelo Banco CAF.