A MANOBRA IMOBILIÁRIA VEIO. Mas e o AEROPORTO?
Ricardo Labatt
Na década de 70 nascia a Barra para a especulação imobiliária.
O bairro ganhou impulso na década de 80 e, já na de 90, se apresentava em pleno desenvolvimento quando incorporaram a área do entorno do Aeroporto de Jacarepaguá e de boa parte da Ayrton Senna a denominação, embora o aeroporto, antiga base aeropostal da Air France, não tenha mudado de nome e nem desaparecido, como foi vontade de um grupo de moradores do Mandala, incomodados com o “cone” de decolagem e aterrisagem.
Neste particular, modestamente, ainda na década de 90, colaborei com a manutenção do aeroporto, ao publicar, de forma inédita, no veículo à época de minha propriedade, o “Nosso Jornal da Barra”, a história da Base e a importância histórica da pista e do próprio aeroporto que passou a ser administrado pela Infraero em 1972 após a inauguração do terminal no ano anterior. Em tempo, vale ressaltar que além de diversas intervenções, o mesmo veículo, na mesma época, já a implementação do Metro, da criação da Central de Tratamento de Resíduos - ETE - e do Emissário submarino. Campanhas encampadas, e seguida, pela Revista Cidade da Barra, do desde sempre amigo Afonso Campuzano, que tenho certeza que, finalmente trocará a minha foto na área dos colunistas.
Destacamos também a imagem ilustrativa que mostra Saint-Exupéry, em 16 de abril de 1930, também autor de “O Pequeno Príncipe”, na pista deste aeroporto, que permanece como uma ilha de Jacarepaguá inserida e cercada, pela Barra, por todos os lados.
Os menos estudiosos alegam que o aeroporto tenha menos de 50 anos. Há até matérias sobre isso. Porém, esse marco dos anos 20, é centenário e, historicamente conhecido como uma Base da Air France, antes conhecido como “Campo Latécoère" da pioneira francesa “Compagnie Générale Aéropostale” - embrião da atual Air France - de onde, inclusive, Jean Mermoz, em 16 de abril de 1928, decolou para realizar, com sucesso, o primeiro voo noturno da América do Sul na rota que ligava o Rio de Janeiro a Buenos Aires.
Essa travessia pioneira abriu o caminho para a consolidação da aviação comercial no continente consolidando o correio aéreo, que precisava voar à noite para otimizar os horários das correspondências.
Agora, na tentativa de aumentar a importância do bairro e possibilitar um belo aumento de IPTU, surge uma nova diferenciação sobre zoneamento. Aproveitando-se da vaidade do ser humano, a Prefeitura começa a difundir a ideia, rapidamente encampada pelos residentes, de Zona Sudoeste.
A modificação aparentemente inocente, faz alusão a Zona Sul e separa o bairro nobre do incômodo de estar no mesmo balaio que Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Realengo, Padre Miguel, Paciência, Santíssimo, Senador Camará, Senador Vasconcelos, Sepetiba, Cosmos, Inhoaíba, Magalhães Bastos, Deodoro e das Baixada de Guaratiba: Guaratiba, Barra de Guaratiba, Pedra de Guaratiba e Ilha de Guaratiba.
A nova Zona, criada em setembro de 2025 engloba a Barra, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá e Taquara. Além de áreas como o Anil, a Barra Olímpica, o Camorim, a Cidade de Deus, Curicica, Freguesia, Gardênia Azul, Grumari, Itanhangá, Joá, Pechincha, Praça Seca, Rio das Pedras, Tanque, Vargem Grande, Vargem Pequena e Vila Valqueire.
O que não se compreende é a falta de visão e de investimentos na ampliação da pista, hoje com apenas 900m de cumprimento e 30 de largura, restringindo as condições de pouso e decolagem apenas a turboélice de menor porte, como o Cessna Grand Caravan da Azul Conecta.
Caso ampliada em 20m na largura e 450m no comprimento, passaria a ter 1.350m, sendo maior até que as do Aeroporto Santos Dumont, que apresenta apenas 1.323m, na principal e 1.260m na secundária.
Isso permitiria pousos e decolagens da Ponte Aérea Rio/São Paulo além de outras aeronaves utilizadas em voos domésticos como:
- Família Airbus A320, nos modelos A319 e A320, além do A320neo - que utilizam o pacote especial de certificação SHARP da Airbus para pistas curtas;
- Boeing 737 - especificamente o modelo 737-800 com procedimentos de peso restritos;
- ATR 42-600S, versão “stol” do ATR 72 e os Jatos Embraer 190 e 195.
Hoje, de acordo com as condições diminutas da pista, apenas o Cessna Citation Sovereign (Modelo 680) e Jatos executivos de pequeno a médio porte como os das linhas Cessna Citation, Embraer Phenom e Gulfstream, além de táxi aéreos e operações com helicópteros, são homologados para este terminal, já que os turboélices ATR 42-600S, que seria capaz, caso não fosse descontinuado, de operar em pequenos aeroportos, como o de Jacarepaguá, com pista de apenas 900 metros de extensão.
Diante das dificuldades de saída e entrada do bairro, imaginem o impulso real na economia e a comodidade e conforto que seria oferecida aos moradores, caso esta mínima ampliação fosse implementada.
Hotéis, bares, restaurantes, comércio em geral e mesmo imóveis receberiam mais público e atenção, além do benefício aos moradores da Zona Sudoeste, que pela importância, merece um aeroporto à altura.
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