quarta-feira, 8 de abril de 2026

CULTURA

 Festivais culturais gratuitos dedicados às pessoas com deficiência ocupam a Cidade das Artes no mês de abril


“O Que Move Você” e “Teatro Cego” transformam o complexo cultural em território de pertencimento onde a arte convida o público a estar junto

 

A Cidade das Artes, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura, recebe no mês de abril dois festivais de teatro gratuitos dedicados à inclusão cultural de artistas e pessoas com deficiência. A segunda edição do “Festival O Que Move Você?”, nos dias 11 e 12/04, reúne no palco artistas com e sem deficiência, que utilizam a música, a arte e a educação como instrumentos de inclusão social. Já o primeiro “Festival de Teatro Cego”, de 16 a 19/04, oferece ao público uma experiência imersiva realizada no escuro total, onde os quatro sentidos são usados para vivenciar os espetáculos “Acorda, Amor!”, “O Grande Viúvo” e “Clarear”. 

Ainda como parte da programação inclusiva do complexo cultural, no sábado (18/04), das 15h às 17h, a Biblioteca Municipal Ziraldo, localizada dentro da Cidade das Artes, abre as portas para o lançamento do livro “Não é esquisitice. É autismo!”, que aborda pequenas adaptações e mudanças de perspectiva que podem transformar a experiência de aprendizagem para crianças dentro do espectro autista. Na ocasião, a psicóloga e autora Ana Carolina Praça fará uma roda de conversa sobre os desafios e possibilidades na inclusão do aluno com autismo. A atividade é gratuita e aberta ao público.

 

“II Festival O Que Move Você?”

O evento promove encontros inéditos entre artistas de diferentes gerações e linguagens – música, teatro, fotografia; além de bate-papos na Biblioteca Municipal Ziraldo, aula de yoga, exposição e oficina. A mostra “Sou Down, Soul Up” apresenta os trabalhos de jovens fotógrafos com síndrome de Down, que revelam um Rio de Janeiro íntimo, sensível e surpreendente. Criando um espaço de encontro onde a música se transforma em vínculo, escuta e descoberta, o cantor e compositor Luís Carlinhos apresenta seu projeto "Macatchula", com pocket shows e oficinas de musicalização para crianças e famílias, junto com a percussionista Mila Schiavo. E também vai ter yoga guiada! É “Sopro da alma”, meditação musical com Lívia Villela e Rodrigo Sha. Várias atividades acontecem simultaneamente como, as atrações circenses, espetáculos curtos, dança em cadeira de rodas com a Cia Holos, parte da comissão de frente da Escola Embaixadores da Alegria e os DJs Marcelinho da Lua e JP, que tem síndrome de Down, animam o evento, que ainda conta com área gastronômica.

Idealizado pelo publicitário Caio Leitão – que é cofundador da Embaixadores da Alegria, primeira escola de samba no mundo voltada para pessoas com deficiência, em atividade há 20 anos –, o festival foi desenhado para todas as deficiências e conta com uma equipe de acessibilidade formada por profissionais experientes que atuaram nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Enquanto os artistas se movem pela arte inclusiva, há quem faça os outros se moverem. É o caso da dra. Tatiana Sampaio, bióloga e pesquisadora brasileira da UFRJ, reconhecida pelo desenvolvimento da polilaminina, uma molécula com potencial para regenerar lesões medulares. Ela participará do painel “Encontros que movem” no sábado (11/04), ao lado de Caio Leitão, com mediação de Bel Kutner. Os convidados de domingo (12/04) são o sanfoneiro cearense com deficiência visual Guilherme Dantas e duas mães atípicas – a atriz Yohama Eshima e a artista plástica Maria Teresa Stengel, fundadora da Ong One by One, voltada para atendimento a crianças carentes com paralisia cerebral.

No festival, a música instrumental ganha novos caminhos com Jonathan Ferr, Bossacucanova, Guilherme Dantas, Rodrigo Sha, Alfredo Del-Penho, Johnatha Bastos, Trio Capitu e convidados, criando formações únicas pensadas especialmente para o “O Que Move Você?”.

Sob a direção teatral de Bel Kutner, o festival apresenta duas obras sensíveis, que colocam em cena afetos, autonomia e humanidade: as peças “Meu amor é cego” e “Meu corpo está aqui”, que reúnem artistas com e sem deficiência em experiências cênicas potentes.

 

Sinopses das peças

MEU AMOR É CEGO - Escrita e protagonizada pelos artistas com deficiência visual Sara Bentes e Jeffinho Farias, a obra aborda o amor e as relações pela perspectiva de pessoas cegas, questionando preconceitos, num texto com humor e emoção. A peça conta a história de dois jovens, Alice e Daniel, que se apaixonam no primeiro encontro, mas enfrentam um grande obstáculo: Alice é cega. A partir desse ponto, a plateia é levada a refletir sobre os verdadeiros valores do amor e como ele pode superar qualquer barreira.

MEU CORPO ESTÁ AQUI – O espetáculo é baseado nas experiências pessoais das atrizes e atores PCDs (pessoas com deficiência), em que eles próprios estão em cena falando abertamente sobre seus relacionamentos, seus corpos, seus desejos. Uma mistura de depoimentos ficcionalizados por Julia Spadaccini, também pessoa com deficiência, e Clara Kutner, retratando o jogo entre as pulsões e os obstáculos que se apresentam nas descobertas e nas experiências de afeto e sexualidade em corpos PCDs. Um tema original e inédito nos palcos, que se aprofunda na reflexão desses corpos invisibilizados socialmente. No elenco, Bruno Ramos é surdo não oralizado, Haonê Thinar é pessoa amputada, Pedro Henrique França tem nanismo, Pedro Fernandes tem paralisia cerebral com cognitivo preservado e é usuário de cadeira de rodas e Jadson Abraão ator-intérprete de libras. Texto e direção de Julia Spadaccini e Clara Kutner, direção de produção de Claudia Marques.

“II Festival O Que Move Você?”

 

11 e 12/04 (sábado e domingo) - das 15h às 21h30

 

Cidade das Artes (Avenida das Américas, 5.300 – Barra da Tijuca)

 

Ingressos: gratuitos em www.sympla.com.br

 

“I Festival de Teatro Cego”

Ao contrário de uma peça convencional, onde o espectador vê primeiro o cenário, que depois vai sendo preenchido por movimento e vida, no Teatro Cego tudo começa em uma escuridão profunda e total. Após a entrada dos atores, com a movimentação e utilização dos espaços, é que o cenário vai se revelando na imaginação de cada pessoa. Durante o espetáculo, sons, vozes e cheiros chegam aos espectadores vindos sempre de locais diferentes, dando a sensação de que eles estão realmente inseridos no ambiente cênico. Tais sensações são o caminho para a compreensão da trama, mesmo ela ocorrendo completamente no escuro.

O elenco é formado por atores com deficiência visual, atores com baixa visão e atores videntes - que enxergam.  Para a segurança da plateia, artistas e produção, a sala escura onde os espetáculos acontecem é monitorada em tempo integral por uma pessoa da produção, através de câmeras de infravermelho e um sistema de iluminação emergencial é instantaneamente acionado em caso de emergência. Todas as peças foram escritas e dirigidas pelo dramaturgo Paulo Palado.

 

Sinopses das peças

 

- ACORDA, AMOR! - O espetáculo une a música de Chico Buarque ao Teatro Cego, com trilha sonora executada ao vivo pela banda Social Samba Fino, também completamente no escuro. As músicas costuram a trama e ajudam a contar a história de quatro jovens que lutam contra o governo militar nos anos 70. Enquanto tentam driblar os militares, Paulo, Lucas e Cesar lutam pelo amor de Natasha.

- O GRANDE VIÚVO - A peça é inspirada no conto homônimo, extraído do livro “A Vida Como Ela É”, de Nelson Rodrigues e conta a história de Jair, um viúvo que, após ter perdido sua amada esposa Dalila, informa à família que também quer morrer e ser enterrado junto à falecida. A situação só é resolvida quando uma mentira é inventada pela família, para dissuadir o viúvo da ideia da morte. Durante o espetáculo, um trio de musicistas executa uma trilha musical ao vivo.

- CLAREAR - O espetáculo conta a história de uma diarista e sua patroa que passam, ao mesmo tempo, por um tratamento de câncer. As duas encontram-se em momentos diferentes da doença, com a diarista praticamente curada e a patroa iniciando a quimioterapia. A relação dessas duas mulheres mostra as diferentes posturas e dificuldades que pessoas de classes sociais distantes têm diante desse desafio, ao mesmo tempo em que a compreensão das condições de cada uma delas faz nascer uma amizade que se tornará a principal ferramenta de suas lutas. A trama fala sobre generosidade, empatia, amor, medo, superação, respeito e autoestima.

 

“I Festival de Teatro Cego”

Datas e horários:

16 e 17/04 – Quinta-feira e Sexta-feira, às 20h

Peça: - Acorda, Amor!  (Classificação etária, 14 anos)

18/04 – Sábado (duas sessões) às 17h e 19h

Peça: O Grande Viúvo (Classificação etária, 12 anos)

19/04 – Domingo (duas sessões) às 17h e 19h

Peça: Clarear (Classificação Livre)

Local: Cidade das Artes (Avenida das Américas, 5.300 – Barra da Tijuca)

Ingressos: gratuitos em www.sympla.com.br

 

Mais informações e a programação completa no site da Cidade das Artes http://cidadedasartes.rio.rj.gov.br/.