quarta-feira, 8 de abril de 2026

CAFÉ COM LABATT

 TRUMP RECUA “DINOVO” E O IRÃ CONQUISTA UM TEMPO PARA RECONSTRUÇÃO DE SUA MÁQUINA BÉLICA, ENQUANTO OS EUA NÃO CONSEGUEM MUDAR A SUA

Ricardo Labatt

Essa, na realidade foi uma grande humilhação para os EUA, que prometeu acabar com o Irã, mudar o regime, levar o Irã a idade da pedra, acabar com a civilização persa e não conseguiu nenhum de seus objetivos declarados.

O primeiro objetivo seria a mudança de regime. Não aconteceu. O governo iraniano se fortaleceu junto à população.

O programa de mísseis passou a ser o objetivo, mas também não foi atingido.

Daí elegeram que o objetivo seria a entrega do urânio enriquecido e o programa de mísseis, onde os EUAS e Israel também não tiveram sucesso.

Então, por força da agressão de Israel e dos EUA ao Irã, o Estreito que estava aberto passou a ser objetivo. Os EUA consideravam imperativo conquistar a sua abertura, do que antes estava aberto.

Agora é ponto pacífico que o Irã controla o Estreito de Ormuz. E NENHUM objetivo, declarado pelos EUA, foi alcançado.

E O QUE ACONTECEU ATÉ AGORA, PARA GANHAR TEMPO

Os EUA já concordaram que o Irã cobre 1 a 2 milhões de dólares por cada navio que atravesse o Estreito de Ormuz. Porém o que mais o Irã conseguiu até agora:

  1. O fim das sanções contra seu país;

  2. A promessa de não agressão;

  3. A concordância em cobrar US$ 2 milhões por navio que cruze o Estreito;

  4. O programa de mísseis permanece intacto;

  5. O programa de enriquecimento de urânio intacto.

Detalhe, o acordo é entre EUA e Irã, de forma que o Irã continua atacando Israel. E mais, o que o Irã realmente pleiteia como exigência para dar fim definitivo ao conflito:

  1. O fim de todas as restrições, na ONU, contra o programa de mísseis e nuclear do Irã;

  2. O Irã manter o controle e a cobrança de pedágio em Ormuz.

  3. O ressarcimento financeiro por tudo que foi danificado em território iraniano;

  4. A retirada da presença bélica dos EUA na área do Golfo;

  5. O fim da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.

O Irã só aceitou esse cessar fogo por conta da intervenção da China que garantiu que exigiria o cumprimento do acordado. Assim, caso essas negociações vá à frente, os EUA devem ter se comprometido a aceitar alguma dessas exigências iranianas.

Porém, eu não acredito que este cessar fogo perdure, até porque Israel e os Países Árabes queriam se livrar de vez do Irã. Mas não deu.

QUEM LEVA VANTAGEM NESSA PAUSA?

Particularmente acredito que o Irã seja muito beneficiado com essa desescalada. Isso porque, em 6 meses o Irã terá condições de construir e repor uma imensa quantidade de mísseis e drones já utilizados. Já os EUA, por conta da desindustrialização, dos gastos excessivos, do superfaturamento de sua máquina bélica e da falta de encomendas já agendadas, não terá mudanças de mais de 5% de suas necessidades de reposição.

Portanto, até agora, o Irã venceu em todas as frentes e caso haja uma diminuição da projeção de poder dos EUA, por meio da menor presença de navios e aeronaves na região, coloca Israel ainda mais contra a parede. Mas, com certeza, em breve assistiremos mais assassinatos extrajudiciais e tentativas de desestabilização do regime iraniano, pois quando se lida com escorpiões, não se pode esperar nada diferente. 

Hoje o Irã pode ser considerado a maior potência do Oriente Médio. A Nação hegemônica na região. Além de ser o professor de como se defender dos EUA. Muitos países começarão e investir em mísseis e drones sendo prioridade sobre aeronaves e navios, principalmente porta-aviões.

UMA LIÇÃO PARA O BRASIL

Como se daria uma investida contra o Brasil?

Logicamente seria a partir de um bloqueio naval, prejudicando exportações e importações e, lançando bombardeios navais à costa do Brasil

O Brasil, nem em 50 anos, teria marinha para se defender dessa ameaça, que é real. Pois mesmo que muitos fantasiem com ameaças advindas da China, da Rússia e mesmo do Irã, o nosso predador natural são os EUA, que inclusive nos vêem e matem como colônia. Declarando descaradamente isso para ouvidos surdos do Brasil.

Mas caso o Brasil passe a investir em mísseis e drones, inclusive drones submarinos, teria condições de resistir e repelir a Marinha dos EUA.

Isso o Irã nos ensinou. Pois o Irã afastou 2 porta-aviões dos EUA com o uso de mísseis e drones. Mas assimilar isso depende da desconstrução da megalomania das FFAA brasileiras que adquirem sucatas norte-americanas e, rezam na cartilha que eles nos impõem, ao invés de construírem lanchas rápidas em torno de mísseis e canhões potentes e/ou metralhadoras eficazes.

Caso queiram informações mais precisas acompanhem o Canal Sextavendo no youtube. Basta clicar https://www.youtube.com/@RicardoLabatt