quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

QUEM ACONTECE

                                     “Carnis Levare”




Maria Helena Cantamissa




Assisti de camarote com minha amiga Marcia Fazenda, a apresentação das escolas de samba que desfilaram pela Marquês de Sapucaí, na segunda-feira de Carnaval.
As quatro agremiações carnavalescas que pisaram na Passarela do Samba, levantaram as  arquibancadas, que aplaudiram-nas efusivamente.
Coube à  Mocidade Independente de Padre Miguel a abertura dos desfiles, trazendo a irreverência da cantora “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, conquanto viveu uma  união com Roberto de Carvalho,  que durou 46 anos, emoldurando  portas-retratos com seus filhos e netos, consolidando-se uma imagem da mais tradicional família brasileira.
Em seguida, a Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, campeã em 2025, ostentou impecavelmente toda a beleza de seu enredo fazendo um passeio azul e branco desde o ano de  1989, mostrando todas as matrizes africanas do candomblé na Bahia.
A G.R.E.S. Unidos do Viradouro, com o enredo “Pra cima, Ciça”, homenageando o Mestre Ciça, entoando lindos versos, que contavam como o mestre de bateria    viu “a vida pulsar como fosse canção, milhões de compassos pra eternizar em cada batida do meu coração, o som que reflete o seu batucar” e performance  da estonteante Rainha da Bateria, a atriz Juliana Paes.
Finalmente a emocionante história da mineira BITITA, “uma mulher que transformou palavra em sobrevivência, denúncia em literatura e vida em legado”, “Carolina Maria de Jesus”, reproduzida pela Unidos da Tijuca, escola presidida por Fernando Horta. Comovente como o carnavalesco Edson Pereira apresentou o enredo nos 94 anos de fundação da Unidos. A Rainha da Bateria Mileide Mihaile iluminou a Sapucaí literalmente. Mister parabenizar ao  Interprete Marquinhos Art’Samba, ao Mestre de Bateria Casagrande, ao Mestre-Sala e Porta Bandeira, Matheus Miranda e Lucinha Nobre. Assim deveriam ser apresentados ao mundo o nosso grande espetáculo: “Me impuseram sobreviver por ser livre nas palavras, condenaram meu saber,  fui a caneta que não reproduziu, a sina da mulher preta no Brasil!
Essa festa “popular” que atrai os olhares do mundo todo para a maravilhosa cidade do Rio de Janeiro, essa “coitada” tão depauperada pelos últimos governantes, que tratam-na como espólio de guerra: sugando-lhe o que tem de mais belo para atingir suas ambições pessoais, passando por cima do cidadão comum, sem piedade alguma. Aliás, lamentável a postura de alguns oportunistas, por acreditarem que nós brasileiros somos massas de manobras e que não percebemos quando somos considerados idiotas.
Rio de Janeiro tem vocação para os foliões que querem se divertir para dar leveza ao coração, por vezes,  atormentado pelas responsabilidades cotidianas.
Que venha 2027  com mais histórias incríveis na apoteose!