O advogado da Barra
Com apenas 25 anos, Eduardo Paes já deixa suas marcas no campo político com uma eficiente administração na Subprefeitura da Barra.
O arrojo e a determinação são suas características
marcantes. Nesta entrevista exclusiva para o Cidade da Barra, Eduardo fala
sobre suas conquistas durante estes dois anos à frente da Subprefeitura e
lembra que a melhor forma de administrar um bairro é ouvindo a população.
Formado em Direito pela PUC, ele conta que pretende
seguir a carreira política, apesar de se declarar apaixonado pela advocacia.
- Consigo juntar as duas coisas. Sou advogado da Barra
– diz.
Nas próximas eleições, Eduardo vai se candidatar a vereador
pelo PFL.
- A população da Baixada de Jacarepaguá não tem
representantes no Legislativo. Quero ocupar este espaço – planeja.
E ele vem com disposição.
- Vou seguir na vida política. Dá para resolver muita
coisa com vontade de trabalho. Quem gosta de bagunça que não vote em mim! –
avisa.
Cidade da Barra – Há alguns meses começaram a surgir
crianças nos sinais de trânsito da Avenida das Américas vendendo coisas aos
motoristas. A subprefeitura promoveu uma campanha para desestimular a presença
destes menores. Quais os resultados desta campanha?
Eduardo Paes – Quando nós percebemos a presença destas
crianças, fizemos um levantamento e identificamos cerca de vinte, e todas elas
tinham casa. A partir de então passamos a ir nas casas destas crianças para
pesquisarmos quais os motivos que as levavam a vender coisas nos sinais.
Descobrimos que todas elas tinham família, e que, com uma ação social,
conseguiríamos traze-las de volta ao lar. Mas encontramos uma dificuldade: era
difícil convencer às crianças a deixarem as ruas, onde ganhavam entra trinta e
quarenta reais por dia, para irem para a escola. Por isso fizemos uma campanha
onde pedíamos às pessoas que não dessem esmola e não comprassem coisas destes
menores, deixando assim de colaborar para que eles continuassem nas ruas. Mas
também descobrimos que muitas desta crianças eram trazidas por adultos, que
ficavam com todo o lucro das vendas. Alguns destes corruptores foram inclusive
identificados e presos. Hoje várias destas crianças já voltaram para suas casas
e estão frequentando as escolas.
Cidade da Barra – Após a colocação dos sinais na
Avenida das Américas, o número de atropelamentos diminuiu bastante, mas ainda
há acidentes. A sr. Chegou a anunciar que poderia colocar quebra-molas na
Avenida Sernambetiba para obrigar os motoristas a reduzir a velocidade. Esta
ainda é uma boa solução? Como está o índice de acidentes agora?
Eduardo Paes – Os sinais na Avenida das Américas foram
uma obra em homenagem à vida. Depois de um ano o número de mortes por
atropelamento caiu de duzentos e setenta para dezessete. E se as pessoas
respeitarem os sinais e as faixas de pedestre, certamente este número vai estar
zerado. Com relação à Avenida Sernambetiba, colocamos sinais Há seis meses e
tivemos o absurdo número de trinta atropelamentos com dezessete mortes nestes
seis meses, por excesso de velocidade dos motoristas e desrespeito aos sinais.
É uma questão a se resolve. Tenho horror a quebra-molas na Sernambetiba. Será
um caos no Trânsito. Mas se as pessoas não respeitam os sinais eu prefiro
engarrafar tudo e preservar as vidas de quem passa pela avenida. Se continuar
este número absurdo de acidentes eu sou capaz de botar quebra-molas mesmo.
Cidade da Barra -
Há poucos meses o sr. Divulgou pela imprensa um artigo no qual mostra
sua preocupação com a favelização da Barra. O que está sendo feito para evitar
isso? Atualmente qual o quadro das favelas existentes no bairro?
Eduardo Paes – A Barra ainda corre o risco de ver o
número de favelas crescer. Existe uma turma de grileiros profissionais que
vivem disso, e tem representatividade parlamentar e no Executivo. O mínimo de
descuido nosso será o caos. Através de um controle permanente conseguimos que o
número de invasões decrescesse de uma taxa de dezessete por cento ao ano para
zero. A situação agora está controlada, mas se a população sinalizar para uma
mudança política no comando da cidade as invasões poderão retornar.
Cidade da Barra – Nesses dois anos de gestão na
Subprefeitura, quais foram as principais vitórias conquistadas?
Eduardo Paes – Hoje a Barra da Tijuca tem uma cara
nova. Era uma bairro totalmente abandonado. Não tinha investimento,
conservação, crescia a números absurdos, desordenadamente, sem infraestrutura.
Tinha invasão de terra , biroscas em todos os lugares, mato alto. Se lembrarmos
da Av. das Américas há dois anos atrás veremos como ela mudou. O capim era
enorme. A primeira reclamação que eu tive foi com relação aos retornos da
avenida que tinham a visão prejudicada por causa do mato. Hoje, sem dúvida, a
Barra tem outra cara. Mas seria pretensão minha afirmas que estamos realizando
tudo o que pretendemos. Não estamos. Mas o bairro tem hoje uma quantidade de
investimento e de cuidado por parte da Prefeitura que nunca teve. Os postos de
salvamento estão funcionando, a Sernambetiba está limpa e capinada, a praia
está iluminada, estamos duplicando a avenida Ayrton Senna, Já temos a segunda
ponte, a Lúcio Costa, os micro ônibus Barrinha, enfim, inúmeras melhorias. Mas
a nossa principal vitória é estar vivendo o dia a dia do bairro, com a
participação direta da população.
Cidade da Barra – Quando o sr. tem a oportunidade de encontrar com os
moradores, percebe um retorno de todas estas melhorias?
Eduardo Paes – Não há dúvida. Mas eles também cobram, e
isso é a melhor coisa que tem. É preciso estar ouvindo o que as pessoas tem
para dizer para a gente poder identificar o que está acontecendo e poder
melhorar.