terça-feira, 29 de maio de 2018

Uma Métrica para religião


 Mario Eugenio Saturno


Dizem que toda religião é boa! Mas será que isso é verdade mesmo? Outros dizem que basta ter uma religiosidade própria, independente de religião! Isso é suficiente? Cada um criando e praticando sua própria religiosidade pode produzir um bom fruto? Se formos comparar religiões ou práticas religiosas, precisaremos ter uma métrica. E uma métrica que seja objetiva. Achando a métrica certa, poderemos ver quais as religiões e práticas religiosas são boas e quais são ruins. Penso nisso há anos.


Uma boa métrica, penso, seria verificar as bênçãos que um seguidor de uma religião ou prática religiosa recebe. Essa é a métrica que se deduz do Antigo Testamento. Como podemos ver em diversos textos, especialmente no Livro de Jó. Dali podemos tirar como bênçãos a saúde, a felicidade, as riquezas, os filhos. Mesmo essas métricas seriam subjetivas, por exemplo, quanto dinheiro torna alguém rico?


De qualquer foram, o próprio Jesus Cristo já rechaçou essa ideia do Antigo Testamento, afinal, era pobre, não foi reconhecido pelos seus, teve uma morte terrível. E seus apóstolos e muitos discípulos também tiveram destino cruel. Assim, não podemos considerar como bênçãos adquirir bens materiais e outras benesses semelhantes.


Creio que exista uma métrica em que as pessoas não enganam a si mesmas: taxa de suicídio. Suicídio e comportamentos suicidas, como dirigir em altas velocidades, consumir muita bebida alcoólica e drogas, brigar demais etc. Veja-se que riqueza e cultura de um povo não são suficientes para que alguém queira viver, Japão e Dinamarca são exemplos disso.


Observa-se que a ausência de religião é fator poderoso para dar fim à própria vida. Há estudos que mostram que a religião tem grande peso na juventude como prevenção, tanto de suicídio como de comportamentos perigosos.


Emile Durkheim foi o primeiro cientista a estudar profundamente o suicídio e ficava impressionado com a pouca taxa de suicídios entre os Judeus e os Católicos na Europa, enquanto que a taxa de suicídio dos protestantes era até quatro vezes maior. A primeira hipótese de Durkheim foi que os católicos tivessem medo de se matar já que morreriam em pecado sem poder confessar-se (diferente de quem mata outra pessoa e pode sentir o remorso). Porém, os judeus não têm o rito da confissão.

Então, Durkeim trabalhou a hipótese de que os católicos e os judeus apresentam uma integração social maior que as demais religiões, já que o individualismo e a solidão são fatores que conduzem ao suicídio. Como se pode constatar que o número de mulheres que se matam é menor que o de homens. Porém os militares que também têm uma alta integração apresentam uma taxa de suicídio alta.


Ao que parece, Durkheim deixou escapar a explicação correta. Na religião instituída por Moisés, o penitente se cobria com cinzas e indumentárias próprias dos pecadores. Todo o povo via sua “desgraça” e sabia que era um pecador. Foi uma forma rudimentar de confissão. Porém, como todos somos pecadores, todos cumpriam tal ritual, reconhecendo-se pecador diante de Deus e da comunidade.


Creio piamente que os rituais dos católicos (confissão) e dos judeus (penitência pública) tem algum efeito bom na mente do praticante, promove o bem-estar mental dos seus praticantes.
  
Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.