Setembro Amarelo: quando a pressão escolar começa a pesar na saúde emocional dos alunos?
Especialista em educação explica sinais que pais e escolas devem observar em crianças e adolescentes diante de provas, cobranças e expectativas por desempenho
Provas, vestibulares, notas, trabalhos, expectativas familiares e a sensação de precisar decidir o futuro cada vez mais cedo fazem parte da rotina de muitos estudantes. Embora algum nível de ansiedade diante de uma avaliação seja esperado, mudanças persistentes de comportamento podem indicar que o aluno precisa de um olhar mais atento dos adultos que convivem com ele.
Para Cristiane Cristo, psicopedagoga e diretora pedagógica da Start Anglo Bilingual School Recreio, a saúde emocional precisa fazer parte da conversa sobre desempenho escolar, principalmente em períodos de maior cobrança.
“A criança e o adolescente nem sempre conseguem dizer que estão sobrecarregados. Muitas vezes, eles mostram isso pelo comportamento. Por isso, pais e escola precisam observar mudanças que fogem do padrão daquele aluno, em vez de interpretar tudo simplesmente como falta de interesse, preguiça ou uma fase.”
Entre os sinais, Cristiane lista cinco sinais que representam bandeira amarela:
1. Mudança brusca de comportamento
Uma criança normalmente comunicativa que passa a se isolar ou um adolescente que se torna constantemente irritado merece ser observado.
2. O desempenho cai sem explicação aparente
Uma queda repentina nas notas pode estar relacionada não apenas à dificuldade de aprendizagem, mas também a questões emocionais que estejam interferindo na concentração e na disposição para estudar.
3. O corpo começa a falar
Dor de cabeça, dor de barriga, alterações no sono ou cansaço frequente podem aparecer associados a períodos de maior tensão.
4. Tudo passa a parecer uma cobrança
Quando o estudante demonstra medo excessivo de errar, sofrimento intenso diante de uma nota ou sensação constante de que nunca está fazendo o suficiente, é importante conversar.
5. Ele deixa de fazer coisas que gostava
Perder o interesse por amigos, esportes, brincadeiras ou outras atividades que faziam parte da rotina é um sinal que merece atenção, especialmente quando se mantém ao longo do tempo.
Cristiane Cristo ressalta que nenhum desses sinais, isoladamente, permite concluir o que está acontecendo com o estudante. O mais importante é observar a frequência, intensidade e duração das mudanças e abrir espaço para uma conversa sem julgamento.
“O primeiro passo não é perguntar ‘o que está acontecendo com você?’, esperando que o aluno tenha uma resposta pronta. É mostrar que estamos disponíveis para ouvir. Às vezes, uma conversa tranquila, sem cobrança e sem transformar imediatamente o problema em uma solução, é o que permite que a criança ou o adolescente consiga falar.”
A psicopedagoga também defende que escola e família precisam atuar de forma próxima. A escola pode perceber mudanças que não aparecem em casa, enquanto os pais conhecem comportamentos e hábitos que ajudam a equipe pedagógica a compreender melhor aquele estudante.
Na Start Anglo Bilingual School, esse olhar também faz parte da rotina escolar. A proposta é fortalecer a identidade e o protagonismo de cada aluno, criando espaços de escuta, como rodas de conversa, em que crianças e adolescentes possam compartilhar dúvidas, medos e dificuldades, mas também reconhecer suas próprias forças. A equipe procura acompanhar cada estudante de maneira individualizada, entendendo que uma mesma situação pode ser vivenciada de formas muito diferentes por cada pessoa.