quarta-feira, 8 de julho de 2026

DESAFIOS A EMPREENDER

 Profissões ligadas à inteligência artificial ganham espaço e podem pagar mais de R$ 80 mil por mês

Escassez de profissionais qualificados impulsiona salários e abre espaço para novas carreiras no mercado de tecnologia

O avanço da inteligência artificial nas empresas tem criado novas oportunidades de trabalho e ampliado a procura por profissionais especializados em tecnologia. À medida que organizações de diferentes setores incorporam ferramentas baseadas em IA às suas operações, cresce também a necessidade de pessoas capazes de implementar, monitorar e aperfeiçoar esses sistemas.

Segundo Kauã Leandro, especialista em mercado de trabalho e gerente de Novos Negócios do Trabalha Brasil (TBR), a falta de profissionais qualificados tem contribuído para a valorização de cargos ligados à inteligência artificial. Em mercados como Estados Unidos e Europa, especialistas experientes podem receber entre US$150 mil e US$200 mil por ano. Com o trabalho remoto cada vez mais consolidado, profissionais brasileiros também passaram a acessar oportunidades em empresas estrangeiras sem precisar sair do país.

No Brasil, grandes bancos, empresas de telecomunicações e companhias de tecnologia já oferecem salários entre R$30 mil e R$50 mil por mês para funções estratégicas relacionadas à área, além de bônus e outros incentivos.

Segundo o especialista, a demanda por profissionais cresceu mais rapidamente do que a formação de mão de obra especializada."Estamos falando de funções muito recentes. Há poucos anos, muitas delas nem existiam. Como as empresas precisam desses profissionais agora, quem já desenvolveu conhecimento e experiência prática acaba encontrando um mercado bastante aquecido", afirma.

Funções que surgiram com a popularização da IA

Entre os cargos que vêm ganhando espaço estão os engenheiros de prompt, responsáveis por estruturar comandos e instruções para ferramentas de inteligência artificial generativa; os auditores de algoritmos, que analisam possíveis falhas e vieses nos sistemas; os treinadores de IA, que trabalham na qualificação de dados e no aprimoramento das respostas das plataformas; e os especialistas em ética e governança, responsáveis por garantir que o uso da tecnologia esteja alinhado às normas legais e às políticas das empresas.

A característica comum entre essas funções é a necessidade de combinar conhecimentos técnicos com capacidade analítica e visão de negócios. Por isso, profissionais de diferentes áreas têm encontrado oportunidades nesse mercado, incluindo especialistas em tecnologia, comunicação, direito, estatística e gestão.

Embora a formação acadêmica continue sendo um diferencial, muitas empresas têm dado peso cada vez maior à experiência prática, certificações e domínio de ferramentas específicas.

Para Kauã, a tendência é que a procura por esses profissionais continue crescendo nos próximos anos, acompanhando a expansão da inteligência artificial em setores como finanças, indústria, saúde, varejo e recursos humanos.

"A tecnologia está deixando de ser um projeto isolado para se tornar parte da rotina das empresas. Isso aumenta a necessidade de profissionais que saibam transformar essas ferramentas em resultados concretos para o negócio", conclui.