Clínicas com faturamento anual entre R$ 6 milhões e R$ 40 milhões seguem padrões de gestão ainda pouco comuns na saúde
Negócios que estruturam operação, marketing e tomada de decisão conseguem transformar crescimento em previsibilidade e reduzir dependência de picos de demanda
O avanço da profissionalização na saúde tem evidenciado um contraste dentro do setor. Dados do Panorama das Clínicas e Hospitais 2025, elaborado por Doctoralia e Feegow Clinic, mostram que 74% das clínicas investem em marketing digital, mas apenas 24% operam com estratégias estruturadas de conversão e gestão da jornada do paciente. A diferença ajuda a explicar por que parte dos negócios cresce de forma consistente, enquanto outros enfrentam oscilações frequentes de receita.
Ricardo Novack, sócio-diretor do Grupo ICOM, maior grupo de gestão e marketing na área da saúde no mundo, afirma que clínicas com faturamento anual entre R$ 6 milhões e R$ 40 milhões seguem padrões claros de operação. “O crescimento não vem do volume de pacientes, mas da estrutura. Essas clínicas sabem exatamente como cada etapa impacta no resultado”, diz.
Na prática, o que trava boa parte das clínicas não é a falta de demanda, mas a incapacidade de transformar interesse em receita. É comum ver negócios com investimento ativo em marketing, agendas cheias em determinados períodos e queda brusca de movimento nas semanas seguintes, reflexo da ausência de processo e acompanhamento.
“Existe um foco grande em atrair pacientes, mas pouca clareza sobre como conduzir esse paciente até o fechamento e a continuidade do tratamento. Sem isso, o crescimento fica irregular”, afirma.