sexta-feira, 17 de abril de 2026

CAFÉ COM LABATT

              A GUERRA DEVE ACABAR NO DOMINGO

MAS QUAIS AS CAUSAS DAS ATITUDES QUE VEM A PÚBLICO?

Ricardo Labatt

Na delicada situação em que se encontra Trump, a derrota de Victor Orban, na Hungria, é um sinal claro de que os ventos estão contra os EUA. O projeto Orban, há 16 anos no poder, representava a resistência nacionalista inspirada na verdadeira “direita”. Ele e Robert Fico, da Eslováquia, mesmo que da verdadeira “esquerda” – também nacionalista - formavam um bloco que antagonizava a cultura Woke e o identitarismo e, mesmo que de uma forma mais autoritária, se apresentava como oposição ao “modernismo” anárquico-social do grupo de Van Der Linde. Porém, era muito mais do que apenas um grito conservador. Era uma linha de pensamento em que a própria base MAGA havia se inspirado e mais alinhada aos EUA. 

A sua queda é a derrocada de um projeto político que visava esfacelar a idéia de União Européia e refazer os elos entre EUA e os diversos pequenos Estados da Europa. Mantendo a força americana, conquistada desde a segunda GG, na mais perfeita aplicação da idéia de dividir para governar.

Não interessa aos EUA uma Europa única, mesmo que enfraquecida por suas tresloucadas ações bélicas contra a Rússia que resultaram na crise econômica anunciada, diante de escolhas erradas.

No domingo, Vance foi à Islamabad – a Brasília paquistanesa - não par negociar, nem para ouvir, como cabe aos derrotados. Foi para impor a vontade de Israel. Tanto que sem nenhum poder de decisão, ligava para Netanyahu, antes e durante o encontro para saber o que podia, ou não fazer, ou aceitar.

MAS PORQUE AS ATITUDES DE TRUMP TEM A VER COM ORBAN E O VATICANO?


Trump sabia que a oposição venceria na Hungria, mas não tinha idéia da dimensão. Sabia que o grande derrotado em Budapeste era Ele. Imediatamente viu a sua frente à tela a ser exposta nas eleições da primeira semana novembro, quando mais de um terço do Senado (35) e todas as cadeiras da Câmara Federal serão renovadas.

Assim, na linha Cesar Maia, o também “discípulo” de Steve Bannon, ensinado a lançar dois factóides diários, para tirar o foco do que é mais danoso... no caso os arquivos de Epstein, os tropeços vergonhosos diante do Irã, ou mais precisamente a derrota na Hungria, precisava de algo de grande repercussão para trocar de assunto. Escolheu a declaração pela paz de Leão XIV, que inclusive já havia se manifestado até de forma mais branda durante o episódio na Venezuela. Porém, Trump precisava de polêmica. Chegou a se comparar a Jesus... mesmo sabendo que existem 53 milhões de eleitores católicos nos EUA...

Corroborando com essa linha de pensamento basta analisar a escolha do Paquistão - o grande freio da Índia - como mediador do conflito com o Irã, por pressão da China para resolver o problema da crise internacional, criada pela insanidade e irresponsabilidade de Israel e dos EUA em atacar o Irã, acreditando que seria um passeio no parque.

Os mais distraídos devem ter se esquecido de setembro de 25, quando no auge das “Tarifas TACO”, Trump impôs uma taxa de 155% aos produtos chineses, que durou apenas 2 dias, pois no retorno do fim de semana de Scott Bessent (Secretário do Tesouro dos EUA) de Genebra, imediatamente elas foram revertidas aos antigos 30%. Por quê?

Porque a China declarou, de pronto a todo o mundo digital que não entregaria aos EUA nenhum grão de TERRAS RARAS. E sem terras raras não existem celular, armamentos... nada.

Como loucura tem limites, Trump foi trazido à realidade. Por segundo claro, mas foi.

12 DE ABRIL - UM DIA PRA SER ESQUECIDO


A reunião no Paquistão seria para anunciar a capitulação dos EUA. Mas Trump não poderia mostrar duas derrotas no mesmo dia... Assim, travou tudo e inventou o “bloqueio” do que já estava bloqueado. Tanto que nesta quarta dia 15, o chefe do Exército do Paquistão, o Marechal Asim Munir, chegou a Teerã para, a pedido da China, facilitar negociações entre Estados Unidos e Irã, e acertar a SEGUNDA RODADA de “conversas” para ESTE FIM DE SEMANA, depois de quase sete semanas de guerra.

De certo que o ”Trump Blokade“ não funcionaria. Todos os navios autorizados a pagar pedágio ao Irã passaram. Pois é impensável os EUA impedirem a passagem de navios chineses, ou mesmo afundá-los por desrespeito a sua magnânima presença, a exemplo do que fez com lanchas na costa da Venezuela e ainda assassinaram os náufragos, por ordem do Almirante Frank "Mitch" Bradley, comandante de Operações Especiais dos EUA, seguindo os desígnios de não deixar sobrevivente, conforme determinou o Secretário de Guerra dos EUA.

O FANTÁSTICO PODERIA ANUNCIAR O FINAL DA GUERRA ?

É possível que domingo, caso se chegue a um acordo, Trump venha a público e declare o fim da guerra. Gritando que o Irã cedeu após o sucesso do seu “bloqueio” do que estava bloqueado e, escondendo que teve que se curvar a todas as 5 (cinco) exigências iraniana, além de colocar Netanyahu na coleira, por um curto período claro... pois ele vai se soltar e aprontar ”dinovo”. Provavelmente dirão que a China foi determinante ao se sentir intimidade pela ameaça de um possível e imaginário fechamento do Estreito de Malaca, na Malásia. Ou mesmo pelo temor iraniano de um ataque devastador com o B-2 (quase invisíveis), mas detectados pelos mesmos sistemas que localizaram e derrubaram os F-15 e principalmente, os outros (quase invisíveis) F-35.

O Fantástico, a CNN, a BBC, Fox o demais “pensamentos sintonizados” não vão dizer que o Irã havia informado que o Estreito de Bab al-Mandab seria fechado pelos Houthis, trancando de vez a circulação de petróleo (bruto e derivados), gás, fertilizantes, hélio (usado para o resfriamento de IAs) de todo o Oriente Médio, que hoje, efetivamente, está sob o controle do Irã. 

Da mesma forma que não informaram que, justamente pela presença dos Houthis ao sul do Mar Vermelho, toda a “poderosa” frota dos EUA, inclusive os “portentosos” porta-aviões são forçados a contornar o continente africano, mais que dobrando o tempo e a distância da viagem prevista pelo Canal de Suez.

Também não vão informar sobre a aceitação e manutenção do “pedágio” imposto pelo Irã, sem nenhuma participação dos EUA. Nem tampouco dos US$ 290 bilhões a serem ressarcidos ao Irã por danos... coisas que se faz por piedade e solidariedade ao derrotados né?

Tampouco deve dar uma linha sobre o, também provável, fim das bases norte-americanas no Golfo, muito menos sobre o prosseguimento, sem restrições do programa de mísseis iranianos. Mas com certeza destacará que o Irã se comprometeu a não confeccionar artefatos nucleares e que “cedeu” a “imposição” de inspeções permanentes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), talvez por um período inicial de 5 anos.

E continua-se a vender o Soft Power dos EUA e a atitude NORMAL norte americana: - “DECLARE VITÓRIA E SAIA CORRENDO”.

Mas pode ser que Netanyahu não aceite a derrota e o obrigue a criar um ataque que eu, pessoalmente, não sei por onde se daria e nem com que intensidade funcionaria para dissuadir o Irã. Só penso que sem invasão completa, que não se resolve em semanas, nem em meses... os tais objetivos dos EUA NUNCA serão alcançados. Assim, talvez hajam outros assassinatos e subornos, tipo Venezuela. Porém, penso que arrogância norte-americana e os instintos bélicos de Netanyahu não conseguirão dobrar o Irã, que pode, acredito eu, empurrar esta guerra até as eleições de novembro, nos EUA. O que derreteria não só Trump mas o próprio partido Republicano. Isso sim é o mais provável.

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