terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

CIDADE

 Inadimplência de aluguel no Rio de Janeiro registra aumento em 2025, aponta Índice Superlógica

  • Índice de inadimplência de aluguel no Rio de Janeiro ficou em 4,20% no período, ante 3,95% em 2024
  • A região Sudeste registrou leve aumento de 0,12 ponto percentual na taxa de inadimplência de 2024 (3,12%) para 2025 (3,24%)
  • Gastos com apostas ultrapassaram 38 bilhões de reais e podem ter contribuído para o comprometimento da renda das famílias inadimplentes
  • Índice traz ranking das regiões com maior taxa de inadimplência de aluguel no ano
  • Criado para apoiar imobiliárias em decisões estratégicas, índice analisa dados anonimizados de mais de 600 mil clientes

Fevereiro de 2026 – A taxa de inadimplência de aluguel no Rio de Janeiro registrou aumento em 2025, saindo de 3,95%, em 2024, para 4,20%, com variação de 0,25 ponto percentual. O índice no estado está acima das médias nacional e regional, de 3,50% e 3,24%, respectivamente. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para os mercados condominial e imobiliário no país.

Segundo Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, “a inadimplência de aluguel no Rio de Janeiro é preocupante, pois está acima da região e da média do país, o que indica um cenário desafiador em 2026. Será fundamental acompanhar as projeções de inflação e juros para que não haja maior pressão sobre o orçamento das famílias e maiores dificuldades no pagamento do aluguel nos próximos meses.” 

“Outros fatores externos também podem impactar o orçamento das famílias - entre eles, as bets, que provocaram perdas econômicas de R$ 38,8 mi no último ano segundo o Banco Central - e devem ser considerados para manter as contas no azul”, complementa.

Na região Sudeste, os imóveis comerciais lideram a inadimplência de aluguel, com 4,54%, aumento de 0,44 ponto percentual em 2025 ante os 4,10% de 2024. Em seguida, aparecem as casas, com 3,68% - leve crescimento de 0,07 ponto percentual frente aos 3,61% do ano anterior - e apartamentos, que mantiveram estabilidade entre os anos e tiveram 2,27% e 2,26% em 2024 e 2025, respectivamente.

No primeiro semestre, as regiões Norte e Nordeste alternaram entre as maiores taxas do ano – com o Norte liberando em janeiro, fevereiro, março e maio. Já no segundo semestre, o Nordeste registrou, em todos os meses, as maiores taxas do Brasil, com pico em outubro (6,84%). Na comparação anual, a região Nordeste manteve o índice mais alto do país, com 5,15%, mas com uma queda de 0,68 ponto percentual em relação a 2024 (5,83%). O Norte fechou o ano com inadimplência de 4,88%, recuo de 0,70 ponto percentual também em comparação com o ano anterior.

O Centro-Oeste teve o terceiro posto do pódio de 2025, com 3,59% (aumento de 0,42 ponto percentual ante 2024), com Sudeste (3,24% ante 3,12%) e Sul (2,89% ante 2,75%) na conclusão do ranking. “As taxas dessas regiões são mais baixas em relação ao Norte e Nordeste, mas tiveram aumento em relação ao ano anterior, o que acende um alerta para essas regiões também”, pondera Gonçalves.

No âmbito nacional, o levantamento mostra ainda que os imóveis comerciais registraram taxas de inadimplência mais altas do que os residenciais (apartamentos e casas). Apartamentos, casas e prédios comerciais registraram médias de 2,36%, 3,79% e 4,84% em 2025, respectivamente. Enquanto casas e comércios tiveram crescimentos respectivos de 0,01 e 0,40 pontos percentuais, os apartamentos tiveram queda de 0,08 ponto percentual.

Além de registrar o maior aumento ano contra ano, os imóveis comerciais lideraram a inadimplência durante 2025, com taxas entre 4,12% e 5,55% – pico marcado em setembro. “Esse tipo de imóvel pode ser mais afetado considerando a instabilidade econômica e os desafios enfrentados por empresas, refletindo muitas vezes as dificuldades financeiras de empreendedores brasileiros”, analisa o especialista.

Gonçalves destaca ainda que o ano ficou marcado pela maior taxa de juros em quase duas décadas (15% da Selic) e a perda da força da atividade econômica no Brasil após três anos consecutivos de crescimento – a expectativa de aumento é de 2,6% para 2025 contra 3,4% em 2024. “São fatores que impactam diretamente no poder de compra das famílias brasileiras e no pagamento das despesas. É preciso começar o ano com cuidado e atenção para manter as contas em dia e evitar problemas no futuro”, alerta.